quinta-feira, 21 de dezembro de 2017

Liga Allianz 2017/2018: primeira volta concluída sem surpresas

Decorreu no passado domingo a última jornada da 1ª volta da Liga Allianz e, como antecipado anteriormente, não há surpresas a assinalar. A única surpresa é talvez a diferença pontual (5 pontos) do atual 1º (Sporting CP) para o 2º classificado (SC Braga).

A edição atual da Liga Allianz vai ser outra sem grande história para contar. Ainda que 5 pontos possa parecer recuperáveis, dificilmente o Sporting CP deixará fugir a conquista de mais esta competição, pela superioridade que tem demonstrado em todos os jogos disputados, com a construção de resultados convincentes, com maior ou menor dificuldade. As opções são variadíssimas e foram pensadas para consumo externo (algo que ficou aquém das expetativas) mas internamente é, seguramente, uma (boa) dor de cabeça para a equipa técnica a gestão de um plantel com tanta qualidade.

Relativamente à época passada, no final da 1ª volta, os dois lugares cimeiros estão invertidos. O líder era então o SC Braga com mais 2 pontos que o Sporting CP. Mas se nesta discussão mais nenhuma equipa se intromete, nas restantes posições observa-se que houve grandes alterações de uma época para a outra. Não iremos analisar pelos pontos conquistados porque como se recordam, a 1ª edição da Liga Allianz teve 14 equipas.

Por exemplo, na época passada, o 3º lugar era ocupado pelo Valadares Gaia e esta época trocou de posição com o Estoril Praia, que se encontrava no 7º lugar. O Clube Albergaria é o único que se encontra na mesma classificação, a 8ª posição. O Boavista, assim como o Ferreirense deram saltos significativos da época 2016/2017 para a atual, sendo atualmente o 4º e 6º classificados, respetivamente. O Vilaverdense saltou da 6ª posição da época passada para a 5ª na presente edição. Depois, assistimos à queda acentuada de duas equipas, que o ano passado estavam nos lugares cimeiros, CF Benfica (4º) e AD Francos (5º), que nesta altura lutam pela manutenção no escalão maior do futebol feminino nacional. O CF Benfica encontra-se no 9º lugar e o AD Francos imediatamente abaixo. Para terminar, na cauda da tabela encontram-se as equipas que subiram esta época à Liga Allianz, Cadima e Quintajense.

Posto isto, afirmo sem qualquer hesitação que a ambicionada competitividade da Liga Allianz só se vai observar na discussão das posições fora do pódio. Assumo que dito desta forma possa criar polémica mas conscientemente esta é a realidade. O que não deixa de ser um reconhecimento a todos os clubes que se encontram atualmente fora do pódio pois continuam insistentemente a defender o futebol feminino nacional com todas as dificuldades com que se deparam diariamente. São dois campeonatos à parte. 

Daí que não acredito que haja alguma equipa  (excluindo o SC Braga) que se possa intrometer na caminhada do Sporting CP para a conquista imaculada desta edição da Liga Allianz. Não significa esta afirmação que não enalteça o trabalho, o querer, a motivação e a determinação das restantes equipas mas as" armas" são muito desiguais. Nem mesmo a equipa que melhor se reforçou este ano, o Estoril Praia, terá argumentos para se meter na disputa a dois. Admito com relativa facilidade que o venha a conseguir, jogadoras com qualidade não lhe faltam mas não será, seguramente, esta época.

Não me canso de repetir que o regresso do Sporting CP e do SC Braga ao futebol feminino foi fundamental para assistirmos ao aumento significativo da visibilidade mas, em oposição, veio criar uma enorme clivagem entre as restantes equipas e no interesse que a própria competição possa despertar na comunicação social (veículo indispensável para a divulgação da modalidade).

Ainda vai demorar tempo até que possamos aspirar a ter a competição mais representativa do futebol feminino nacional com níveis de competitividade elevada e incerteza do vencedor até ao fim.

Imagino os argumentos/estratégias que os responsáveis técnicos das duas equipas no topo da classificação têm que definir individualmente para manter as suas atletas motivadas e focadas na competição. Qualquer deslize poderá ter consequências inesperadas.

Ainda que não acredite, de todo, que isso possa acontecer!

terça-feira, 19 de dezembro de 2017

Sensibilidade e bom senso

Neste árduo caminho de desenvolvimento do futebol feminino em Portugal, nem todas as coisas precisam de grande investimento para serem postas em prática. Uma das mais importantes, porque dá rosto ao que se faz, é a divulgação nas redes sociais das actividades das equipas.

Nesse aspecto já grande parte das equipas, de todos os escalões e competições, têm procurado corresponder ao que à era da comunicação se exige: se não se vê, não existe.
 
Claro que este trabalho de documentação fotográfica e arquivo online é feito, em mais de 90% dos casos, por pessoas que directa ou indirectamente estão ligadas às equipas e por alguns fotógrafos amadores que têm páginas próprias e aí publicam o seu trabalho.
 
Dizem os regulamentos que só quem tem colete do CNID pode estar dentro do recinto de jogo para fotografar. Logo, à partida a maioria das pessoas que fotografa os jogos está limitada à vista das bancadas ou, em melhor opção se a houver, junto ao varão que rodeia os campos. O que não permite um trabalho de grande qualidade.

Felizmente, as árbitras vão estando sensibilizadas para a importância da divulgação das imagens do jogo e vão permitindo, a quem solicita, a permanência dentro do campo, na zona restrita para os fotógrafos. De salientar que, quem vai fazer este trabalho, tem de estar consciente que tem de ter um comportamento correcto e adequado à circunstância.
 
A própria FPF, ciente da importância da divulgação e numa atitude de sensibilidade e bom senso, tem credenciado alguns fotógrafos amadores nas finais da Taça de Portugal e na Supertaça e ainda em alguns jogos das Selecções Nacionais.
 
Ora, se tudo está dentro dos parâmetros mínimos, qual a razão deste post?
 
É que, teimosamente, há uma árbitra que continua  a ser mais papista do que o papa, fazendo valer os regulamentos. Imagino que seja para se proteger. Mas quando todas as suas colegas o fazem, sem que ao que parece mal nenhuma tenha vindo ao mundo, um pouco de bom senso talvez ajudasse. Porque na verdade, todos precisamos uns dos outros. Certamente, a sua carreira não seria a mesma se não fosse o futebol feminino.
 
Talvez haja necessidade de se criar aqui uma figura legal, entre a FPF e as pessoas que querem desenvolver este tipo de trabalho, de forma a que toda a gente esteja devidamente identificada e não haja necessidade de contar com a boa vontade de quem dirige o jogo. Boa vontade essa que, volto a referir, na maioria dos casos existe.

quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

O mistério que se segue...

Depois do anúncio, no início da época aquando da Supertaça Cândido de Oliveira, da intenção de ter futebol feminino, esta semana o SLB tornou público que essa vai ser uma realidade já na próxima época - 2018/2019.
 
Apesar de iniciarem a sua participação no Campeonato de Promoção, em nada belisca a vontade da FPF em ter o maior número possível de grandes clubes a disputarem as provas femininas. Isso aliado ao crescimento do número de jogadoras federadas, nomeadamente nos campeonatos mistos, leva a crer que o projecto da FPF está vivo e para durar - e com todo o mediatismo que se impõe.
 
Depois da certeza da participação, uma dúvida paira no ar no universo do futebol feminino: quem será o treinador que vai liderar a empreitada?
 
Como é normal, já muitos nomes se vão lançando para o ar, alguns até para as páginas dos jornais. Nomes de gente que esteve, até há bem pouco tempo, ligada ao futebol feminino.
De entre esses nomes, há sempre um que é equacionado: o de Pedro Bouças, que passou pelo Futebol Benfica e deixou um palmarés digno dos melhores: 2 campeonatos, 2 Taças de Portugal e 1 Supertaça, a juntar duas prestações na Liga dos Campeões muito boas. Registe-se que nos mentideros do futebol feminino, ele foi dado com um pé no Belenenses e Sporting CP, tendo já algumas jogadoras contactadas. Portanto, da mais elementar justiça a lembrança do seu nome.
 
Infelizmente, quem faz as notícias opta pelo óbvio. Porque há, pelo menos, três nomes que estão disponíveis e deveriam ser recordados - independentemente da sua vontade em aceitar - pelo seu currículo e competência, mas que têm um senão: são mulheres. E as mulheres ainda são esquecidas sempre que se fala de futebol, mesmo que seja do feminino.
 
Falo de:
- Alfredina Silva - para além da sua experiência como jogadora, é treinadora há duas décadas, com provas dadas através de títulos conquistados e equipas a jogarem bom futebol
- Helena Costa - com experiências bem sucedidas em Portugal, com a conquista de títulos, e no estrangeiro em condições bastante difíceis como são os países árabes
- Susana Cova - uma larga experiência como treinadora das selecções jovens, tendo um vasto conhecimento da realidade portuguesa ao nível dos talentos
 
No futebol feminino é muito importante que o treinador/a tenha algum enquadramento com a realidade da modalidade. Não só ao nível da forma como se relaciona com as jogadoras, que queiramos ou não é diferente da dos jogadores, mas também, e mais importante, da qualidade média das outras equipas. É muito frequente um treinador que nunca treinou equipas femininas ficar deslumbrado com o que vê nas suas jogadoras, pensando que aquilo é o máximo, porque talvez inconscientemente esteja à espera de menos, e depois quando começa a ver as outras equipas é surpreendido.
Essa situação será menos frequente numa treinadora porque já foi jogadora - não conheço excepções - e conhece bem a realidade.
 
Independentemente da escolha do SLB, que só ao clube diz respeito, o que me fez escrever isto foi a vontade de ver reconhecido o trabalho que as mulheres treinadoras de futebol têm vindo a desenvolver. E fico à espera que essa seja uma mudança nestes novos tempos da modalidade em Portugal.

terça-feira, 12 de dezembro de 2017

SL Benfica - da promessa de agosto à realidade em 2018/2019

Ao fim de 4 meses do anúncio da possível aposta, pelo SL Benfica, no futebol feminino aquando da realização da Supertaça Cândido Oliveira surge agora a confirmação oficial que o projeto vai mesmo avançar.

Na perspetiva dos adeptos do futebol jogado pelas mulheres e raparigas é uma excelente notícia. Com a presença já do Sporting CP e do SC Braga, mais um nome de peso aposta no futebol feminino nacional e a expetativa é enorme. Naturalmente que não nos podemos esquecer do Boavista e do Estoril Praia, para referirmos somente os que evoluem na Liga NOS. Mas, ainda, mais importante é não nos esquecermos de todos os outros clubes que anos a fio têm mantido o futebol feminino e que não competem ao mais alto nível no futebol masculino. 

Naturalmente que estes esperados confrontos terão que aguardar, na melhor das hipóteses, pela época 2019-2020, uma vez que o SL Benfica irá começar pelo Campeonato de Promoção, algo que é de realçar e tirar o chapéu.

Se bem se recordam, quando se começou a falar da criação da Liga Allianz e de terem sido enviados convites a todos os clubes participantes na Liga NOS, ao contrário do Sporting CP e SC Braga, o SL Benfica declinou esse convite e a entrada direta para a competição. As razões são desconhecidas e para o caso não creio que sejam relevantes. 
 
A polémica na altura criada com estas entradas diretas (o Belenenses na altura também aceitou o convite e, entretanto, já extinguiu a sua equipa...) foi algo que não foi (obviamente) bem entendido e aceite pelos restantes clubes. Pessoalmente sempre afirmei que não concordava com esta entrada direta mesmo entendendo quais os motivos subjacentes à mesma (maior visibilidade para a modalidade, possibilitar melhores condições de trabalho para treinadores e atletas com vista ao crescimento do futebol feminino nacional).

A verdade é que nesta época e meia de mudança assistimos a muitos acontecimentos inimagináveis há meia dúzia de anos: a final da Taça de Portugal Allianz 2017/2018, registou a maior assistência de sempre de um jogo feminino (acima das 12 000 pessoas) com direito a transmissão no canal publico; o jogo (Sporting CP - SC Braga), que decidiu a Liga Allianz na época transacta foi jogado em Alvalade, com mais de 9000 pessoas a assistir e transmissão em canal por cabo; Portugal teve a sua primeira participação numa fase final sénior - Campeonato da Europa 2017, na Holanda.

Os desafios que se colocam para o futuro são imensos e o SL Benfica percebeu isso claramente. Pelo comunicado percebe-se que a decisão de avançar foi bem ponderada e as linhas mestras do projeto assim o demonstram.

Ao começar pelo Campeonato de Promoção, pessoalmente interpreto como tendo uma época para analisar e avaliar a implementação do projeto e poder aspirar a outros vôos quando alcançar a Liga Allianz, com etapas bem calculadas.

O timing do anúncio oficial revela uma enorme perspicácia e vai implicar que os clubes atualmente dominantes (com ou sem atletas profissionais) tenham que rapidamente acautelar o seu futuro, na perspetiva de que nenhuma venha a ser reforço da recém criada equipa do SL Benfica. Mas, também para as restantes equipas é mais um motivo de preocupação com a possibilidade das suas melhores atletas poderem sair, mesmo que seja para jogar no Campeonato de Promoção.

Hoje já começou o destaque online. Aqui, aqui, aqui, aqui, aqui, aqui e não procurei mais!

Irei ter atenção amanhã à imprensa escrita.

quarta-feira, 29 de novembro de 2017

Portugal - Itália: um resultado injusto (28/11/ 2017, Estoril)

Há 17 anos, em Portalegre, no dia 22/11/2000, Portugal também jogou contra a Itália, num jogo de playoff para o Campeonato da Europa de 2001. Curiosamente, também teve transmissão televisiva.

Começo este texto recordando esta memória porque nesse dia as condições atmosféricas foram em tudo semelhantes às ontem verificadas no Estoril, um dia de chuva intensa e que transformaram o campo de jogo em Portalegre numa autêntica piscina. Os delegados da UEFA ponderaram seriamente o adiamento do jogo dadas as condições de impraticabilidade do terreno de jogo (a bola boiava sobre a relva e a bomba de água não dava conta do recado para escoar a mesma). A delegação italiana estava decidida a resolver o playoff nesse dia e opôs-se à mudança do dia do jogo, conforme o regulamento estipulava à data. Acredito que esta posição só foi assim assumida dado que tinham uma confortável vantagem de 3-0 do jogo da 1ª mão.

O jogo esse mais pareceu polo aquático uma vez que o campo nunca chegou a ter as condições mínimas para a realização de um jogo de futebol. O resultado foi favorável às nossas cores, 1-0, ainda assim insuficiente para qualquer outra coisa que não somar uma saborosa vitória em condições adversas. Não referi, propositadamente, que a diferença de nível entre a seleção portuguesa e a italiana, em 2000, era notória e significativa mas num campo naquelas condições era impossível observar a superioridade italiana.

Ontem, no Estoril, o terreno de jogo não estava sequer perto do ocorrido em 2000 e a diferença de nível, determinado pelo ranking europeu, não se viu. O que se viu foi a seleção nacional a controlar a seleção italiana, a tapar todos os caminhos para a sua baliza e a desperdiçar oportunidade atrás de oportunidade, que se viriam a revelar fatais para o resultado final. Tinha afirmado no dia anterior, que o jogo seria resolvido nos detalhes, como se veio a verificar. A Itália teve 2 oportunidades de golo flagrantes. Marcou uma e a Patrícia Morais defendeu a outra.

Mais do que as opções assumidas pela equipa técnica nacional na disposição das jogadoras no sistema de jogo adotado, deslocando algumas para posições que não são as suas habitualmente nos clubes (ficaremos sempre na dúvida se nas suas posições habituais o rendimento individual em prol do coletivo seria ou não superior), o que é mais preocupante são as oportunidades flagrantes  (eu contei 7) que a nossa seleção não conseguiu concretizar. A Itália teria sido vergada à sua qualidade atual, longe dos tempos áureos em que foi uma das seleções europeias mais temíveis. É certo que a árbitra espanhola viu uma falta no golo anulado à Raquel Infante que só ela conseguiu ver. Que não teria tido a importância que veio a ter no resultado se Portugal conseguisse concretizar, pelo menos, 50% das oportunidades claras que criou, seja em bola corrida seja em bolas paradas.

O resultado é injusto dado o caudal ofensivo, com jogadas de elevada qualidade e muita personalidade da equipa, nunca mostrando inferioridade e sem temer a diferença de ranking mas uma equipa que quer lutar pelo apuramento não pode desperdiçar tantas oportunidades flagrantes de golo, nomeadamente contra os adversários diretos.

E assim se desperdiçam 6 pontos (derrota em Penafiel com a Bélgica, a 24/10/2017), que nos colocaria no topo do grupo 6, a par da Itália (que lidera o grupo mas já tem 4 jogos disputados) e a discutir o apuramento de igual para igual.

É possível reverter o cenário? Sim, sem qualquer hesitação, mas a tarefa que se avizinha não vai ser fácil.

Se acredito? Até ser matematicamente impossível, sempre!

E desejo que todos os portugueses acreditem. Só assim lá chegaremos!

segunda-feira, 27 de novembro de 2017

A radiografia às equipas da Liga Allianz - considerações finais (IV)

Depois de termos partilhado a informação disponibilizada por 11 equipas que competem na Liga Allianz, é chegada a altura de tecer alguns comentários.

É nossa convicção que conseguimos responder ao desafio que nos propusemos e, concomitantemente, cumprimos a nossa promessa de não revelar nominalmente as equipas que se inserem em cada um dos relatos apresentados.

Teria sido bastante facilitada a nossa tarefa se tivéssemos colocado a tabela que construímos com a informação que os clubes nos cederam e organizássemos a escrita através dos dados compilados. Não obstante, do manancial de informação que recolhemos podemos afirmar seguramente que divulgamos cerca de 90% do total da informação recolhida. Acreditamos que as equipas irão reconhecer as suas realidades sem ser necessário identificá-las.

Podíamos ter ido mais longe? Sem dúvida, mas para "inicio de conversa", o que conseguimos já dará oportunidade para outras abordagens e perspetivas futuras.

O nosso lamento vai para a impossibilidade de termos a informação das 12 equipas que competem na Liga Allianz. Não foi por falta de insistência e de pedidos. Provavelmente não encontraríamos nenhuma informação diferente das que obtivemos, mas fica a dúvida.

Não tendo fórmula mágica ou alguma ideia brilhante de como será possível que os clubes proporcionem melhores condições (aos que se aplica, naturalmente), talvez essa fórmula ou ideia brilhante necessite de um empurrão da FPF mas também o comprometimento dos clubes com as suas equipas.

Um exemplo, não será viável, com a intermediação/chancela da FPF negociar com alguma cadeia de hotéis e contratualizar um pacote de preços que, pelo menos, permita às equipas ponderar a possibilidade de efetuarem alguma das suas viagens mais longas, na véspera? Talvez seja utopia da minha parte mas creio que compete aos clubes envolver a FPF na procura de soluções para poderem evoluir. Só desta forma a Liga Allianz crescerá e tornar-se-á cada vez mais competitiva. E, sendo a Liga Allianz mais competitiva, em melhores condições físicas chegarão as atletas convocadas aos estágios para as várias seleções nacionais. Não são estes os objetivos?

Não haverá parceiros de negócios no ramo automóvel com capacidade para disponibilizar uma viatura para auxiliar o transporte das equipas nas suas regiões? 

Ou mesmo uma empresa do ramo da hotelaria, não tem capacidade para oferecer o almoço à equipa da terra? A recomendação de "boca-em-boca" ainda é a que mais clientes cativa. Se a equipa estiver satisfeita, imaginem o quantidade de pessoas que podem ser futuros clientes. Há um sem número de oportunidades de ver o retorno da oferta à equipa.  

Como disse, não tenho nenhuma fórmula nem ideia que já não tenham pensado, mas sei que todas estas propostas só podem ser apresentadas a quem decide se forem traduzidas em números.

Terminamos como começámos a endereçar, mais uma, vez os nossos sinceros agradecimentos aos clubes pela sua colaboração:

- Sporting Clube Portugal;
- Sporting Clube de Braga;
- Clube Futebol Benfica;
- Boavista Futebol Clube;
- Valadares Gaia;
- Clube Albergaria;
- Estoril Praia;
- Vilaverdense;
- U. Ferreirense;
- Quintajense;
- UR Cadima.

Desejamos que tenham dado por bem empregue o tempo que dispensaram para responder às nossas solicitações.

Tenho a certeza que vos voltaremos a incomodar.

Sucessos desportivos e muita sorte.


sexta-feira, 24 de novembro de 2017

A radiografia às equipas da Liga Allianz - alimentação, viagem de véspera e patrocinador (III)

Hoje iremos abordar as três variáveis em falta, da informação que solicitamos às equipas. Começamos pelas questões da alimentação (o almoço em particular) nos dias de jogos.

Poderíamos assumir (erradamente) que quando as equipas são visitantes o almoço estaria incluído nas condições proporcionadas às atletas (e demais comitiva). Mas não, essa realidade não se observa em 4 equipas, quando as deslocações são  mais curtas, as atletas almoçam em casa e deslocam-se posteriormente para o jogo.



Em distâncias maiores, o almoço é disponibilizado pelo clube em 9 das 10 equipas. A realidade de uma equipa é que o almoço enquanto visitante, em deslocações longas, é parcialmente suportado pelo clube.

Se os cenários descritos acima se verificam enquanto visitante, os mesmos ocorrem enquanto visitados. As mesmas 4 equipas que enquanto visitante em deslocação mais curtas, também almoçam em casa nesta circunstância. Uma equipa, excepcionalmente, reúne-se para o almoço enquanto visitado. Nas restantes 6 equipas, as atletas reúnem-se para o período de almoço mesmo na posição de visitado. Em três equipas, o almoço decorre em instalações próprias dos clubes.



Os recursos dos clubes são limitados sabendo que em alguns esse limite não será tão curto como em outros tantos. A possibilidade de reunir a equipa previamente ao jogo à hora de almoço é sempre importante, seja na situação de visitado ou visitante. São momentos de partilha e união da equipa em torno do objetivo imediato (o jogo desse dia) mas que criam laços entre as atletas que muito podem contribuir para um ambiente saudável no seio da equipa, seja ela qual for. 

Se na variável "alimentação" nos deparámos com os cenários acima descritos é quase uma relação causa-efeito que as equipas não viajam de véspera, como se veio a confirmar. Apenas uma equipa assume que nos jogos com deslocações mais longas viaja sempre de véspera, uma outra equipa diz que essa decisão é tomada caso a caso e entra em consideração com a distância e as restantes 9 equipas viajam sempre no dia do jogo, independentemente da distância.

Que dizer? Não é a situação ideal, mas não existindo outra alternativa, não há mais que fazer que levantar muito cedo (especialmente quando os jogos são às 15h), percorrer os quilómetros  e desejar chegar nas melhores condições possíveis.

Para terminar as variáveis que solicitamos falta abordar a questão da existência ou não de patrocinador oficial. Nunca nossa preocupação saber os valores envolvidos nos patrocínios das equipas. 

Todavia, é relativamente simples ligar os pontos e perceber o motivo de algumas equipas não terem ajudas de custo para combustível ou terem que ser as atletas e comitiva responsáveis pelo transporte da equipa para os jogos e, ainda, não existir a possibilidade de se reunirem sempre para o almoço. Atualmente, das 11 equipas que nos disponibilizaram a informação 8 dispõe de patrocinador oficial, uma aguarda patrocinador e 2 não têm patrocinador oficial.

Este assunto de patrocinadores é sempre um assunto delicado. Não é de agora que o futebol feminino (ou melhor, o desporto feminino em geral) tem enormes dificuldades em encontrar um parceiro interessado em investir numa equipa. O retorno não é (nem será a curto prazo) minimamente rentável. Ainda assim, com a entrada dos ditos clubes grandes na Liga Allianz, verificou-se um aumento da visibilidade da competição mas que não é repartida de igual modo por todas as equipas (o que também não é novidade). As transmissões televisivas são uma realidade, os diretos através das redes sociais também são prática comum e a imprensa escrita começa a estar mais alerta para o futebol feminino.

Não obstante, o aumento de visibilidade (ainda) não se traduziu em melhores condições que os cubes (ou grande parte deles) como estes desejariam.

Com a descrição e análise destas três variáveis, terminamos a partilha da informação que nos foi disponibilizada pelas equipas. Teremos ainda um texto de considerações finais onde procuraremos deixar algumas reflexões sobre este nosso desafio.

quarta-feira, 22 de novembro de 2017

A radiografia às equipas da Liga Allianz - transportes (II)

Neste segundo texto vamos abordar a questão que maior dificuldade nos colocou quando recebemos a informação por parte das equipas. A informação entretanto recebida pelo Valadares Gaia já foi tipificada e incluída neste texto.

A disparidade entre o que cada equipa disponibiliza às suas atletas é abissal. A começar pelos treinos, encontramos clubes que são totalmente responsáveis pelo transporte das suas atletas para os treinos, através de carrinhas ou autocarros com locais próprios para a entrada das atletas.

Outra realidade descrita é o pagamento de ajudas de custo a atletas que utilizam os seus recursos próprios para se deslocarem para os treinos (e jogos enquanto clube visitado). Há, também, atletas quem se deslocam para os treinos de transportes públicos.

Encontramos várias equipas em que o transporte para os treinos é efetuado, através dos dirigentes e treinadores em conjunto com carrinhas dos clubes. 

Mas, encontramos, ainda, equipas cuja responsabilidade de chegar aos treinos é exclusivamente das atletas e treinadores, sem que haja qualquer comparticipação do clube nessas deslocações. E aqui, parece-me que será importante os clubes reverem as suas prioridades na atribuição de subsídios, ajudas de custo ou o que lhe quiserem chamar. 

Deveria ser regra as atletas não terem que pagar para ir treinar (ou jogar, já lá vamos). Até porque como se sabe os combustíveis não são propriamente baratos e é mais um encargo suportado pelas atletas/treinadores para praticarem o desporto que as apaixona. 

No que se refere aos jogos, aqui a questão divide-se dependendo da distância enquanto visitante. Para deslocações iguais ou superiores a 100 km, uma equipa desloca-se em autocarro próprio, outra recorre a autocarro próprio caso haja disponibilidade e as restantes socorrem-se (e bem) do protocolo estabelecido pela FPF e uma empresa de transportes.


Se a distância é inferior a 100 km, bom aqui também são evidentes as diferenças. Nos mesmos clubes onde as atletas e treinadores são responsáveis pelas suas deslocações (sem ajuda dos clubes), passa-se o mesmo quando os jogos são próximos das suas localidades.

Nas restantes situações, os clubes utilizam recursos próprios (carrinhas/autocarros) ou ainda outras alternativas (disponibilizados pelas autarquias) para transporte das atletas. Ou seja, podemos afirmar que 80% das equipas assegura o transporte das suas atletas enquanto visitante com distâncias mais curtas, independente da forma como o efetuam. 

E ainda bem que o fazem, especialmente por uma questões de segurança mas também por questão de rendimento desportivo das atletas que vão a conduzir antes do jogo. Não poderão ter, por muito que queiram, o mesmo rendimento que teriam se pudessem não ter essa preocupação.

Em jeito de conclusão será sempre preferível assegurar o transporte (quer para treinos quer para jogos) das atletas sem o recurso aos seus veículos. Especialmente no pós treino se a distância ainda for considerável, uma vez  que permitirá às atletas regressarem a casa mais descansadas do que ter que enfrentar uma viagem onde a concentração é exigência.

Também sei que se não for recorrendo a esta solução, as equipas a que me refiro possivelmente não teriam possibilidade de competir, o que é impensável quando conquistaram esse direito com todo o mérito. 

Daí que vos deixo uma reflexão (é minha e vale o que vale) sobre esta questão de utilização de veículos pessoais das atletas, treinadores e dirigentes por parte de algumas equipas, especialmente quando não há qualquer tipo de contrapartida pelos clubes. São vários os cenários que podemos traçar e perceber que é uma enorme risco as atletas, treinadores e dirigentes recorrerem às suas viaturas. Em caso de acidente, por mais ligeiro que seja, coloca-se de imediato a questão da responsabilidade. Em caso de agravamento do prémio do seguro por ativação deste, será quaisquer uma das pessoas referidas acima a suportar o custo acrescido.

Desejo sinceramente que os clubes com maiores dificuldades neste âmbito consigam alternativas para melhorar as condições oferecidas às atletas.

Ainda se joga por “amor à camisola” mas cada vez mais convém fazê-lo em segurança!

terça-feira, 21 de novembro de 2017

A radiografia às equipas da Liga Allianz - treinos, logística e apoio clínico (I) - Adenda

Na noite de ontem, após a publicação do primeiro texto recebemos a informação do Valadares Gaia, a qual agradecemos.

Uma vez que não é possível reescrever o texto de forma a manter os pressupostos previamente definidos mas podemos afirmar que a informação que nos foi gentilmente cedido pelo Valadares Gaia, nestas três variáveis, é muito idêntica ao que encontramos e relatámos no texto de ontem. Não observámos uma nova realidade pelo que toda a informação partilhada está atualizada.

Voltaremos amanhã com um novo texto e já com as informações do Valadares Gaia incorporadas.