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terça-feira, 2 de abril de 2019

#TodosMoçambique: um Benfica x Sporting solidário.

(Foto: Anabela Brito Mendes)



Já se sabe que o desporto em geral e o futebol em particular é um veiculo de excelência (a exemplo dos concertos musicais) para chamar a atenção da população mundial para causas de diversos âmbitos, que necessitam de ajuda urgente para que os danos não atinjam proporções (ainda mais) assustadoras quando há vidas humanas envolvidas.

Mais do que o resultado do jogo em questão (vitória do Sporting CP pela margem mínima), o que se assistiu na bancada é de realçar e deixa-nos a esperança que há vida para além de clubismos fanáticos.

Ao apelo da Federação Portuguesa de Futebol (um exemplo sempre que se fala de solidariedade, quem não se lembra das ações relacionadas com os incêndios de Pedrogão Grande?), em conjunto com o Sindicato dos Jogadores, Associação de Futebol de Lisboa, a disponibilidade do Clube Futebol “Os Belenenses” para ceder o estádio e os clubes envolvidos, os portugueses responderam “presente”. Foram mais de 15 000 adeptos presentes do Estádio do Restelo (que bela moldura humana com uma fantástica paisagem de fundo), dos dois clubes, misturados entre si (embora tenha existido a preocupação da separação física de adeptos) e que fizeram a festa. Os cânticos de cada clube não se deixaram de ouvir, cada qual puxou pela sua equipa mas num ambiente descontraído, saudável e de consciência pelo motivo que se tinham deslocado ao Restelo.

Vi, como há muito não via, famílias inteiras nas bancadas. Cada qual envergando as cores do seu clube. À minha frente estava uma família declaradamente sportinguista mas imediatamente atrás estava uma família em que cada um tinha a sua preferência e não foi por isso que deixaram de estar e festejar em conjunto.

As jogadoras foram as maiores promotoras do evento. A sua entrega ao jogo e o respeito mútuo foram notas dominantes e a fotografia final na cerimónia de entrega do troféu “Vicente Lucas” é uma imagem a reter e a promover.

O jogo, esse, deu a primeira amostra do que podemos esperar na próxima época na Liga BPI e demais competições, caso se encontrem. Foi um jogo bem disputado, com inúmeras oportunidades de golo de ambas as equipas e não existindo a pressão de pontos ou eliminatórias, facilitou os intervenientes a proporcionar um bom espetáculo a todos no estádio e aos que assistiram via televisão.

Bem sei, infelizmente, que em situação de competição, outros valores se levantam, o clubismo sobrepõem-se muitas vezes ao bom senso e acabamos por assistir a cenas que em nada dignificam os clubes e o futebol em geral. Felizmente, que no jogo de sábado nada disto ocorreu e o salutar convivo pré, durante e após o jogo foi a nota dominante. Não tenho utopia de pensar que este ambiente se possa repetir nas futuras competições mas que seria bom, lá isso seria.

Que não seja necessária outra catástrofe para assistirmos (e vivermos de perto) a outro dia para recordar na história do futebol feminino nacional, onde foi alcançado um novo máximo de assistência num jogo de futebol feminino em Portugal.

Deixo-vos uma questão… se o jogo contasse para uma competição interna, com entradas pagas (cujo valor podia ser o mesmo, 2,5€), teríamos ido todos ao Restelo?

Eu, seguramente, iria! Só assim se cresce e evolui.

segunda-feira, 25 de março de 2019

SL Benfica – SC Braga: a primeira mão das meias-finais da Taça de Portugal BPI

(Foto: Anabela Brito Mendes/Sports and Girls)

Quem me conhece e acompanha o que vou escrevendo sabe que não abordo questões técnico-táticas de jogos de futebol. Isso fica para os entendidos, que não é de todo o meu caso. Mas, como adepta de futebol, creio que consigo diferenciar um bom jogo, daqueles de encher o olho de um jogo monótono e pouco atrativo.
Ora, o jogo que opôs o SL Benfica ao SC Braga, disputado no Estádio da Tapadinha, não sendo um jogo de encher o olho teve todos os ingredientes que o tornaram de nervos, emoções fortes, de enorme entrega das jogadoras de ambas as equipas e de incerteza no resultado até soar o apito final. Os milhares de adeptos que se deslocaram ao estádio (seguramente mais de 2500) e os que assistiram através da transmissão televisiva não saíram defraudados e assistiram a um espetáculo disputado no limite.
Foi o primeiro jogo para o SL Benfica contra uma equipa da Liga BPI também profissional e era aguardado com grande expetativa para se perceber, de forma definitiva, a real qualidade da equipa lisboeta. E, quem esperava ver a equipa encarnada com prudência para perceber como o jogo ia decorrer, enganou-se. Foi a equipa que entrou mais forte, a cometer menos erros, a ter mais posse de bola e à procura do golo, que surgiu com naturalidade à passagem do minuto 25, por Darlene. Um golo de belo efeito num remate de primeira após mau alívio da defesa bracarense. A mesma jogadora podia ter aumentado a contagem quase de seguida mas a bola saiu rente ao poste. O Braga, até ao golo do Benfica, mostrou-se uma equipa muito diferente do que já vimos esta época. Não conseguia ter bola, as suas jogadoras, aparentemente, acusaram mais a responsabilidade do jogo que as suas adversárias, os passes raramente tinham o destino certo e não conseguia assentar o seu jogo. O golo da igualdade surge de um lance de bola parada, onde a GR do Benfica não fica isenta de culpa, numa saída em falso, aos 37 minutos.
A etapa complementar revelou um Braga mais próximo do que é habitual, a conseguir manter a bola em seu poder (todavia sem nunca criar lances de perigo eminente para a baliza encarnada) e a obrigar as jogadoras do Benfica a um desgaste físico adicional na procura da mesma. O Braga trouxe ao de cima a sua maior experiência mas sem nunca amedrontar a equipa encarnada. O melhor da tarde estava guardado para o minuto 68 com o monumental golo do Braga, na marcação de um canto direto pela Ágata Pimenta. O Benfica não desistiu e voltou à carga à procura do golo do empate, mas deparou-se com uma barreira chamada Rute Costa (com a segurança que lhe é reconhecida manteve a sua baliza trancada) ou com a pontaria desafinada das suas jogadoras. Mesmo sobre o apito final, num livre ainda se gritou golo pelos adeptos benfiquistas mas foi ilusão ótica, já que a bola saiu ao lado, num cabeceamento quase perfeito de Tayla.
A diferença neste jogo, em jeito de resumo, foi o aproveitamento por parte do Braga das bolas paradas e a sua maior experiência e ritmo competitivo. Não se iluda quem pense que isso não ficou demonstrado. O Benfica não tinha tido, até ao jogo de ontem, necessidade de correr atrás resultado, nunca tinha estado na posição de desvantagem e não era obrigado a mexer na sua equipa ou mudar estratégia para recuperar. Ou seja, todas estas variáveis nunca tinham sido abordadas, em contexto de jogo, quer pela equipa técnica quer pelas jogadoras. Foi toda uma realidade nunca vivenciada e isso só se treina e aprende quando acontece.
(Foto: Anabela Brito Mendes/Sports and Girls)
A eliminatória está longe de estar decidida. O Benfica vai a Braga discutir a passagem à final da Taça de Portugal BPI de igual para igual. O resultado de ontem de nada lhe serve para que consiga alcançar um dos seus objetivos na época de lançamento. Dia 20 de abril espera-se outro jogo de emoções e nervos à flor da pele.
Uma coisa é certa, o futebol feminino nacional precisa de muitos mais jogos deste calibre, dimensão e competitividade para continuar a evoluir.
Que ninguém duvide disso!

terça-feira, 19 de março de 2019

Futebol feminino - fim de semana de emoções fortes e muito mais!

(Foto: Anabela Brito Mendes - Sports and Girls)

No fim de semana de 16 e 17 de março decorreram dois jogos que opuseram as equipas do SL Benfica e o Sporting CP, no escalão sub 17 (16 de março) e séniores femininos (17 de março).
Tive a oportunidade de assistir aos dois e, permitam-me que realce que fiquei deliciada com o jogo das sub 17. Mais que o resultado, favorável ao Sporting CP, foi o constatar ao vivo a recente realidade que o futebol feminino nacional atravessa. Há cada vez mais miúdas e raparigas a jogar futebol. Deixa-me extremamente feliz e confiante que o futuro futebol feminino nacional não só pode como vai ser risonho.
O entusiasmo vivido quer dentro do terreno de jogo, quer pelos espetadores revela que o futebol feminino está em “estado de graça”. Os dados estão lançados e não há forma de parar este desenvolvimento. O aparecimento dos clubes ditos grandes permitiu dar mais e maior visibilidade ao futebol feminino nacional e, desta forma, chegar cada vez a mais adeptos de futebol em geral. Alias, atrevo-me a dizer que, se tais clubes não aparecessem, duvido que estivéssemos no presente momento a assistir a esta viragem no futebol feminino nacional. É injusto para com todos os outros que andam há anos a lutar pelo futebol feminino? É, sem dúvida. Mas o que desejo é que, daqui em diante, todos possam crescer dentro das suas realidades e proporcionar cada vez mais melhores condições não só às jogadoras mas também a treinadores e demais elementos imprescindíveis para o bom funcionamento de qualquer equipa.
Os eventos da “Festa do Futebol Feminino”, que decorrem nas Associações Distritais de Futebol e cujos vencedores se apuram para o evento final a realizar no Estádio Nacional, nos escalões Sub 13 e Sub 15, movem milhares de raparigas e fazem-nas sonhar que é possível ser jogadora de futebol em Portugal (algo impensável há meia dúzia de anos). É certo que nem todas lá chegarão e a gestão das suas expetativas em momento algum deve ser descurado, sejam pelos pais seja pelos treinadores.
Regressando às emoções do fim de semana e ao nível sénior, o jogo que opôs o Sporting CP “B” e o SL Benfica, no domingo passado, deixou-nos alguns indícios do que podemos esperar para o ano, quando estas equipas se encontrarem na Liga BPI. O Sporting CP “B”, ao apresentar-se com alguns reforços de peso, da sua equipa principal, deixou muito boa imagem nunca virando a cara à luta. O jogo foi agradável de seguir e quem se deslocou a Alcochete não saiu defraudado na expetativa de ver um bom espetáculo. O resultado sorriu para a equipa encarnada, mais adulta e que soube aproveitar cirurgicamente as oportunidades que lhe surgiram. O primeiro grande teste à real capacidade desta equipa do Benfica está marcado para o próximo dia 24/03/2019, na primeira mão das meias-finais da Taça de Portugal, contra o SC Braga. O estádio da Tapadinha prepara-se para receber uma das suas maiores assistências seguramente.
E por falar em assistências, que dizer dos mais de 60 mil espetadores que assistiram ao encontro de “La Liga”, na vizinha Espanha que opôs o Atlético de Madrid, de uma das nossas maiores referências atuais, Dolores Silva ao Barcelona. Já há uns tempos atrás tinha abordado esta temática das assistências no futebol feminino e foi sem grande espanto que tive conhecimento que os bilhetes para a final do próximo Campeonato do Mundo, a disputar em França, esgotaram cerca de 30 minutos após o início da venda online. Os ventos de mudança são transversais no mundo inteiro, cada qual dentro da sua realidade.
Razão tem o presidente da UEFA quando afirma que o “futebol feminino tem um potencial ilimitado e tem desenvolvido um conjunto de programas de apoio às federações nacionais”.

segunda-feira, 11 de março de 2019

A emoção dos quartos-de-final da Taça de Portugal BPI

(Foto: Sports and Girls - Anabela Brito Mendes; Arnaldo Amador; Maria Garcia)

Já se sabe que os jogos da Taça de Portugal são sempre uma festa e qualquer clube deseja chegar o mais longe possível e, quem sabe, chegar à final no mítico estádio do Jamor.



Os jogos do passado domingo não fugiram a essa regra e viveram-se momentos de grande festa por parte dos clubes que avançaram para as meias-finais, que serão disputadas a duas mãos. Nestes quatros jogos, há que salientar os jogos que opuseram o CF Benfica ao Valadares e o Estoril Praia ao SC Braga, sem qualquer desprimor para os outros dois, que também merecem toda atenção e destaque.



Excluindo a vitória esmagadora e por números expressivos do SL Benfica (marcou tantos golos como os registados nos outros 3 jogos - 16), houve emoção e nervos até ao final nos dois jogos entre equipas da Liga BPI.



O jogo no Futebol Benfica foi eletrizante e a incerteza no vencedor durou atá ao final dos 90 minutos. A vitória sorriu ao Valadares, mas podia ter caído para o lado das visitadas. Foi um excelente jogo para promoção da modalidade, com muitos golos de elevada qualidade técnica. 



Na Amoreira, o Estoril Praia, a única equipa a "roubar" pontos na Liga BPI ao líder isolado SC Braga, recuperou sempre da desvantagem e levou o jogo para prolongamento, obrigando o clube visitante a mostrar as credencias que o levou a eliminar o atual detentor da Taça de Portugal, o Sporting CP.



O Albergaria venceu sem grandes dificuldades o vizinho Cadima, num jogo em que a experiência e outro nível competitivo fez a diferença, seguindo justamente para as meias-finais. Se tiver oportunidade não a vai deixar fugir de estar novamente no Jamor.
O jogo SL Benfica - CA Ouriense não tem história. O resultado final diz tudo e poucas considerações podem ser efetuadas a não ser reforçar que a equipa lisboeta está preparada para qualquer desafio até chegar ao Jamor e será um sério candidato à vitória.



Mas, estes 4 jogos não são apenas motivo deste post pela sua qualidade, emoção e incerteza quanto ao resultado final. É também motivo para escrever estas linhas o empenho e destaque com que a FPF tratou estes quartos-de-final. Só não viveu as emoções destes jogos quem não quis assistir à transmissão via streaming que a FPF proporcionou a todos os adeptos de futebol. O SL Benfica foi o único que ficou de fora, mas ainda assim transmitido pelo seu canal próprio.



Só se quisermos ser pouco agradecidos é que não conseguimos reconhecer quanto o futebol feminino em Portugal tem vindo a crescer e a mudar, com a chancela da FPF. Há poucos anos andávamos a "discutir" se a final da Taça tinha ou não transmissão...agora tivemos a possibilidade de, pelo menos, ver três jogos em direto. Podem argumentar que este tipo de ações em pouco desenvolve o futebol feminino nacional. Mas, não podem argumentar é que este tipo de ações é fundamental para captar mais adeptos e espetadores, potenciar o aparecimento de parceiros/patrocinadores e, no limite, permitir às miúdas sonharem que o seu dia chegará. 



A logística para transmitir os jogos via streaming pode não ser uma grande dificuldade mas implica recursos humanos e materiais que poucos clubes dispõe.



Eu cá quero é que estas ações continuem e que me permitam viver as emoções da Taça de Portugal se não puder deslocar-me a nenhum dos campos.



Ainda mais agora que o sorteio ditou uma final antecipada entre o SC Braga e o SL Benfica. E se o jogo em Lisboa é expectável que o vá ver ao vivo, o que se vai disputar em Braga dificilmente, até porque fica no meio do fim-de-semana de Páscoa.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2019

Estão de regresso os torneios de futebol feminino


Em pouco menos de mês, o futebol feminino volta a mostrar toda a sua projeção e crescimento a nível mundial. Entre 28/02 e 07/03 irão disputar-se, literalmente pelos quatro cantos do mundo, quatro torneios de seleções femininas.

A exemplo do que tem ocorrido em anos anteriores, as seleções aproveitam estes torneios para afinarem estratégias para as competições a doer (este ano será para a fase final do Campeonato do Mundo, em França).

Durante largos anos, a Algarve Cup (anteriormente designado de Mundialito de Futebol Feminino), foi o único torneio de dimensão mundial a ser disputado neste período, tendo a 1ª edição ocorrido em 1994 e celebrado as bodas de prata na edição de 2018.

Pelo Algarve, em 25 anos de torneio, pode-se dizer que passou a nata do futebol feminino mundial. Foram várias as edições em que pudemos observar pelos relvados algarvios as seleções campeã do Mundo, da Europa e dos Jogos Olímpicos espalhar momentos mágicos.

Retenho, sendo uma escolha meramente pessoal, a final disputada em 2012, que opôs o campeão Mundial em título (Japão) e o campeão Europeu (Alemanha) e cuja vitória sorriu à equipa europeia, num jogo frenético cujo resultado final foi 4-3.

Em 2008, ou seja, 14 anos após o pontapé de saída da atual Algarve Cup, surge a Cyprus Women's Cup, com o mesmo formato da "nossa" competição. Por lá também passaram selecções de enorme calibre que nos últimos anos, optaram por escolher o torneio português (Canadá e Holanda, os mais sonantes).

No ano de 2016, para celebrar a conquista do Mundial 2015 e divulgar a campanha She Believes, surge a “She Believes Cup”, que arrastou consigo do Algarve a seleção da casa (EUA), a Alemanha e a França.

O último torneio a surgir é a "Cup of Nations", a ser disputado na Austrália e que arranca este ano.

Com quatro torneios a decorrer em simultâneo vai ser possível observar em ação 18 das 24 seleções (75% do total) que se apuraram para o próximo mundial em França. Nos torneios quadrangulares, as 8 equipas participantes irão estar no Mundial. A Algarve Cup vai ter sete finalistas do Mundial, incluindo a atual campeã da Europa (Holanda) bem como a semifinalista do EURO2017 (Dinamarca, que no entanto não alcançou o apuramento para o Mundial). Em Chipre, estarão 3 finalistas. Apenas as seleções da Alemanha, França, Nigéria, Camarões, Jamaica e Chile não estão envolvidas em nenhum destes torneios.

Mas regressemos à Algarve Cup e a sua edição de 2019, Como assinalamos acima, são 7 as finalistas do Mundial 2019 a evoluir no próximo mês de fevereiro e março a sul do país, sendo que 3 seleções encontram-se no top 10 do ranking mundial.

Pessoalmente é com grande expetativa que aguardo os jogos da nossa seleção, depois do brilhante 3º lugar alcançado em 2018. Portugal irá competir no Grupo D e vai ter como opositores as selções da Suécia e da Suíca. Acredito que a seleção irá continuar mostrar a evolução consistente a que temos assistido nos últimos anos. Uma coisa é certa, quando começar a Algarve Cup já será conhecido o sorteio da fase de qualificação para o EURO2021, a disputar em Inglaterra. Para as seleções (europeias) que não vão ao Mundial, este será um período excelência para irem recolhendo informação dos possíveis adversários. Excluindo a China e o Canadá, todas as restantes equipas irão estar num dos 5 potes para o sorteio.

Será, certamente, um período de romaria ao Algarve de elementos das equipas técnicas das várias seleções para observarem in loco os seus adversários e preparem da melhor forma a grande competição de 2019 e, logo de seguida, a qualificação para 2021.

Para quem tiver disponibilidade esta será uma boa altura para tirar uns dias e aproveitar tudo que a região do Algarve nos oferece, com o bónus de poder assistir a excelentes jogos de futebol feminino não só da nossa seleção mas também das restantes participantes.

Lá nos encontraremos!

(publicado originalmente no sítio do Sindicato Jogadores).

segunda-feira, 28 de janeiro de 2019

14ª jornada da Liga BPI: CF Benfica - SC Braga

(Foto: Anabela Brito Mendes)

Disputou-se ontem (27/01/2019) a 14ª jornada da Liga BPI que teve dois encontros apetecíveis para qualquer adepto de futebol. Falo especificamente do CF Benfica - SC Braga e o Estoril - Sporting CP.

Quem se deslocou ao Estádio Francisco Lázaro, em Benfica não deu por mal empregue o tempo despendido e viu um bom jogo de futebol, com jogadas bem construídas por parte de ambas as equipas e um ritmo de jogo bem agradável. O ascendente pertenceu sempre ao SC Braga, que igual a si próprio procurou constantemente a baliza contrária. Deparou-se com uma equipa do Futebol Benfica muito personalizada, a defender coletivamente perto da perfeição e a conseguir tapar os caminhos para a sua baliza. Quando o SC Braga conseguia chegar, encontrou uma parede na baliza (que grande jogo fez a Sónia Castanheira).

As oportunidades de golo mais flagrantes, na 1ª parte, curiosamente pertenceram ao Futebol Benfica, sendo uma anulada pela Rute Costa e a outra desperdiçada à malha lateral da baliza. O SC Braga bem tentava criar perigo mas a bola teimava em não passar a linha de golo.

Na segunda metade, o cenário não mudou e o SC Braga continuava a procurar o golo de todas as formas, a jogar a toda a largura do terreno de jogo que obrigava a um esforço defensivo adicional por parte do Futebol Benfica, nunca baixou os braços, mostrou grande entreajuda entre os vários setores, uma disponibilidade física pouco comum para uma equipa que não é profissional e o enorme  potencial de crescimento da época passada para esta.

Depois de uma defesa acrobática da Rute Costa, o SC Braga manteve o pé no acelerador e continuou a procurar o golo da vitória, que surgiu nos últimos minutos quando já poucos acreditavam que seria possível face ao rigor defensivo até então apresentado pelo Futebol Benfica. O golo nasce de uma jogada de insistência do SC Braga, com uma série de ressaltos finalizada pela Vanessa Marques, num gesto técnico perfeito, à primeira vista, em posição irregular.

A equipa de arbitragem não teve dúvidas e validou (e bem) o golo do SC Braga dado que a bola vem de uma defesa do Futebol Benfica cujo alivio da bola não levou a direção desejada e ficou à mercê da Vanessa Marques que não perdoou *. 

O empate não seria um resultado injusto e um prémio merecido por todo o rigor defensivo e coletivo do Futebol Benifica (não se iluda quem pense que se limitou a defender).

Mas o SC Braga mostrou toda a sua qualidade e capacidade que o faz continuar no 1º lugar da Liga BPI invicto e só com vitórias.

Foi, efetivamente, um jogo de nervos e emocionante até ao fim.



* Sem mudar o conteúdo do post, impõe-se efetuar a correção que o golo do SC Braga é, efetivamente, alcançado em posição irregular após termos visionado, mais de uma vez, as imagens e consultado a Lei do fora de jogo, em conjunto com quem sabe desta matéria. 

terça-feira, 11 de dezembro de 2018

O fim de um ciclo?


A derrota do Sporting CP na 10 jornada da Liga BPI representou a primeira do clube de Alvalade a nível interno, no tempo regulamentar, e caminha-se para o fim de um ciclo de domínio inequívoco da equipa verde e branca, desde que reativou a equipa feminina, na época 2016-2017.

Mas não é sobre o jogo grande da jornada 10 nem tão pouco sobre os clubes intervenientes que escrevo umas linhas. O tema é mesmo o encurtar dos ciclos de domínio de uma equipa sobre as restantes.

Logo à cabeça surge o nome de duas equipas com inegável palmarés: Boavista FC e SU 1º Dezembro. Foram, sem qualquer margem de duvidas, as grandes dominadoras do futebol feminino nacional durante décadas. Convém não esquecer que o clube do Porto é o único cuja equipa se mantém em atividade desde os primórdios do futebol feminino nacional (há mais de 30 anos). Quando apareceu a primeira competição da responsabilidade da Federação Portuguesa de Futebol (FPF), em 1988, designada de Taça Nacional, o Boavista conquistou todas as cinco edições desta prova. 

O registo continuou com o aparecimento do Campeonato Nacional, cujas três primeiras edições foram para o clube da cidade invicta. Este ciclo do Boavista terminou na edição de 1995-1996, quando o Lobão "roubou" pela 1ª vez um troféu às axadrezadas. Mas, como seria de esperar, o Boavista volta a conquistar o Campeonato Nacional logo na época seguinte, que marca também o último que conquistou (1996-1997).

Nas épocas seguintes, entre 1997-1998 e 2000-2001, o Gatões (Matosinhos), conquistou três Campeonatos Nacionais, sendo que o último (2000-2001) permitiu que fosse o primeiro representante nacional na primeira competição de clubes da UEFA.

O troféu da época de 1999-2000 representou o primeiro dos 12 campeonatos nacionais que a SU 1º Dezembro conquistou, sendo 11 consecutivos (2001-2002 a 2011-2012), marca impressionante e que, dificilmente, nos próximos anos será repetida ou ultrapassada.
Com o evoluir das exigências, em 2004, surge a primeira edição da Taça de Portugal feminina, cujo primeiro vencedor foi a SU 1º Dezembro (que voltaria a repetir o feito por mais sete ocasiões). À SU 1º Dezembro apenas faltou a conquista de uma Supertaça Feminina, mas quando a competição foi lançada já a SU 1º Dezembro tinha encerrado a sua equipa sénior, de longe a mais representativa do clube. Decisões, no mínimo, estranhas.
Quem aproveitou a queda livre da SU 1º Dezembro foi a Ouriense, que dominou nas duas épocas seguintes (2012-2013 e 2012-2014), conquistando também a Taça de Portugal em 2013-2014. Conseguiu, ainda, o feito histórico de ser até à data a única equipa portuguesa a ultrapassar a fase de mini-torneio da Liga dos Campeões feminina, passando à fase a eliminar.
Sucede ao Ouriense, o Clube Futebol Benfica, que conquistou dois campeonatos nacionais, duas Taças de Portugal e foi o primeiro clube a conquistar uma Supertaça, em 2014-2015.
Na época de 2016-2017, assiste-se às entradas do Sporting e do Braga e com eles a mudança completa do que eram as competições femininas até então. São formadas as primeiras equipas com jogadoras profissionais e a disputa fica resumida a estas duas. É que excluindo o domínio da SU 1º Dezembro, todas as épocas seguintes a incerteza do vencedor pairou até quase ao final.
Assiste-se, agora, ao final do domínio do Sporting. Poderá ser precipitada esta afirmação. É verdade, admito que sim, mas os cinco pontos de desvantagem que tem antes da final da primeira volta, deixa o clube leonino apenas com um troféu para conquistar, a Taça de Portugal, que depende única e exclusivamente de si.
Estaremos a assistir ao inicio do ciclo do Braga? Para já, está bem lançado para conquistar a sua primeira Liga.
É que para a Taça de Portugal há outro concorrente de peso e que nunca escondeu que o objetivo da época de lançamento era a conquista desse troféu: o SL Benfica.
Preparem-se que a próxima época vai ser, de longe, a mais emocionante de todas até agora. Três grandes clubes à procura de conquistar os troféus em disputa.
E os ciclos vão ser, seguramente, cada vez mais curtos.
(Texto publicado originalmente no Sindicato dos Jogadores).

segunda-feira, 10 de dezembro de 2018

Sporting CP 0 - 2 SC Braga: o título está (quase) entregue



Como antecipámos, o Braga não se iria fazer rogado se tivesse a oportunidade de sair de Alcochete com os 3 pontos na bagagem.

Dizer que assistimos a um grande espetáculo de futebol não corresponde à verdade mas foi seguramente o mais disputado e renhido dos últimos tempos, onde o Braga foi muito mais eficaz que o Sporting. O Sporting fez muito pouco para quem tinha obrigatoriamente de ganhar para se manter na luta pela conquista da Liga BPI.

O Braga apresentou-se como uma equipa mais esclarecida e a vantagem pontual permitiu-lhe encarar o jogo de forma muito mais serena. E aproveitou de forma exemplar as ofertas dadas pelas centrais do Sporting. Mas, não se pense que o Sporting perdeu por demérito seu. De todo, o Sporting perdeu, pela primeira vez para a Liga, por mérito do Braga, que trouxe a lição bem estudada e sabia perfeitamente quais as peças que tinha que anular da equipa adversária. A organização e a lição que o Miguel Santos  passou às suas jogadoras, elas executaram-na na perfeição. Foram sempre mais dinâmicas, afoitas, lutadoras e com sentido na baliza adversaria. E nos duelos individuais, se não levaram a melhor todos, andou lá perto.

Há, claramente, falta de alegria e motivação na equipa leonina. Foram poucas as jogadoras que nunca viraram a cara à luta e remaram contra o jogo que o Braga tinha planeado e colocou em campo. O valor individual das jogadoras do Sporting não pode só produzir o que se viu no jogo de ontem.

O jogo valeu, especialmente, pelos primeiros 45 minutos. A etapa complementar trouxe um Braga consciente que tinha tudo para manter o resultado a seu favor e o jogo tornou-se mais quezilento, com muitas paragens que em nada favorecem quem tem que recuperar da desvantagem de 2 golos. O Sporting deixou-se enrolar na teia montada pelo Braga e não concretizando as (poucas) oportunidades que criou, só se pode "culpar" a si próprio de deixar fugir a única oportunidade que tinha para continuar a depender de si próprio.

Objetivamente, algo vai mal no reino do leão.

Mas isso pouco importa ao Braga, que mostrou ao que vinha e deu um passo de gigante para conquistar a sua primeira Liga.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2018

O jogo grande da jornada 10 da Liga BPI – Sporting CP - SC Braga


(Francisca Cardoso e Diana Silva )

Não pretendo fazer nenhuma antevisão do que este jogo nos poderá proporcionar do ponto de vista técnico ou táctico. Deixo isso para os entendidos. Os últimos confrontos entre estas duas grandes equipas não foram dos mais bem jogados para a promoção do futebol feminino nacional como ele merece. Se as duas melhores equipas nacionais, com as melhores executantes não conseguem proporcionar os melhores jogos de futebol, a própria competição ressente-se pois precisa é de espetáculos para captar cada vez mais adeptos para a causa.

Sem qualquer leviandade de me querer intrometer no trabalho semanal das duas equipas técnicas, desejo sinceramente que o jogo dia 9 de Dezembro seja um desafio de encher o olho a todo e qualquer adepto de futebol.

Todavia, talvez não tenhamos essa sorte porque este jogo encerra grande responsabilidade para ambas as equipas e pode resolver, quase de imediato, a atribuição do título de Campeão da Liga BPI de 2018/2019, antes do final da primeira volta, caso o Braga vença em Alcochete. Pela 2ª vez, o clube leonino vê-se obrigado a correr atrás do prejuízo (a primeira foi no jogo realizado em Alvalade em que o Sporting tinha que vencer para anular a vantagem do Braga, na primeira edição da Liga Allianz, num jogo electrizante com mais de 9000 adeptos nas bancadas). Na jornada 10 o cenário irá repetir-se, o clube de Alvalade tem 2 pontos a menos que o Braga, fruto do empate concedido na Madeira.

Poderia dizer, sustentado apenas nos resultados, que o Braga está a jogar melhor que o Sporting nesta presente época. Leva 54 golos marcados, o dobro do Sporting (27). Mas será esta uma análise correta? Incompleta será certamente porque haverá outras variáveis que teríamos que tipificar. Lembro-me, assim de repente, da eficácia de concretização de ambas as equipas.

O que posso dizer, sendo uma opinião muito pessoal, é que o Sporting tem muito mais a perder neste jogo que o Braga. Se bem se recordam, o clube de Alvalade teve um período tumultuoso no início da época, com eleições que foram tema de intermináveis conversas de café. Podemos considerar que tal não teria repercussões nas equipas leoninas em competição, que são máquinas oleadas, preparadas em qualquer circunstância e imunes a qualquer mudança. Errado, toda e qualquer atividade na estrutura directiva tem reflexo nas equipas do clube. A incerteza que paira não permite que o trabalho que se pretende realizar decorra de forma serena como se exige.

O Braga, depois da conquista da Supertaça, em Viseu, quebrou o enguiço e ergueu o seu primeiro troféu nacional. O que mais me tem fascinado nesta equipa do Minho é o caudal ofensivo, a procura constante da baliza adversária e concretizar todos os golos que conseguir, independentemente do adversário, sem nunca abrandar o ritmo de jogo. Será que vai manter este padrão de jogo no próximo domingo? A acontecer, será uma enorme demonstração de personalidade da equipa.

Ao Sporting, apenas a vitória interessa. Não só para recuperar a desvantagem pontual mas especialmente para dar novo alento a uma equipa que já ganhou tudo internamente e transmitir uma prova inequívoca que está firme na luta pela reconquista de todos os troféus ainda em disputa, colocando um ponto final em jogos menos conseguidos. Creio que o Nuno Cristóvão tem mais dores de cabeça para escolher as 11 titulares que o Miguel Santos no Braga. Não que considere que o Braga tem menos opções, bem pelo contrário. Não tem é um plantel desenhado e construído maioritariamente com jogadoras portuguesas de elevada qualidade, todas internacionais e, que de uma época para outra, não são primeira opção.

O Braga, mais confortável na situação de líder isolado da Liga BPI, não se vai fazer rogado se puder sair de Alcochete com os 3 pontos e, desta forma, dar um passo de gigante na conquista do troféu em disputa. Haverá ainda muita Liga até ao fim, mas o Sporting perdendo já não dependerá exclusivamente de si.

Na verdade, creio que o mais correto é afirmar que só podemos perceber quem está, efectivamente, melhor quando estas duas grandes equipas se defrontarem pois estarão ambas sujeitas aos mesmos níveis de dificuldade e exigência, onde qualquer pequena falha pode comprometer o resultado final.

Uma coisa é garantida, o único pensamento das 22 jogadoras a entrar em campo no domingo vai ser a vitória. 

Até porque são estes jogos que mais adrenalina libertam.

Muito sucesso ao Sporting CP e ao SC Braga e que proporcionem um excelente jogo de futebol.

quarta-feira, 14 de novembro de 2018

A propósito das 500 vitórias da seleção nacional feminina dos Estados Unidos da América

(Créditos: FPF)
Não tendo sido o continente americano descoberto por portugueses (nem sobre a alçada portuguesa) na memorável época dos Descobrimentos, atrevo-me a dizer que Cristóvão Colombro passou anos suficientes em Portugal a estudar e desenvolver um plano, na altura para alcançar as Índias, por rota alternativa quando “esbarrou” em terra e descobriu o Novo Mundo. Podia ter sido mais uma glória dos navegadores que saíram de Portugal mas o Rei D. João II tinha outros interesses (descobrir um outro caminho que contornasse África, como foi depois alcançado por Vasco da Gama), pelo que não deu ouvidos a Cristóvão Colombo e este virou-se para nuestros hermanos.
Com esta muito resumida introdução histórica atrevo-me a dizer que sem Portugal os Estados Unidos da América (EUA) não existiriam e nem a seleção americana teria alcançado a marca histórica de 500 vitórias em 639 jogos. É um feito fantástico que merece uma celebração ao estilo tipicamente americano como se da descoberta de um novo continente se tratasse.
Mas o que me leva a escrever umas linhas parte de um conjunto de questões do género “E se…”. Note-se que a seleção nacional feminina dos EUA fez o seu primeiro jogo em 1985. Bom, a seleção feminina portuguesa fez o seu primeiro jogo em 1981, quatro anos antes. Daí que:
-  E se, em 1983, a Federação Portuguesa de Futebol não tivesse dado indicação e terminado com as atividades da seleção feminina sem motivo que o justificasse?;
-  E se, a exemplo do que ocorre nos EUA, as jogadoras portuguesas tivessem tido sempre as mesmas condições de crescimento e desenvolvimento das suas qualidades e aptidões?
E se, conseguíssemos alcançar o mesmo número de jogadoras (proporcionalmente ao nossa país, obviamente) que os EUA e, desta forma, “obrigássemos” os clubes a disponibilizar todos os escalões de formação e, ainda,  proporcionar mais e melhores condições às jogadoras da equipa principal?;
-  E se,… podia continuar por aqui fora que não concluiria coisa alguma, a não ser que a seleção portuguesa foi amputada em 10 anos de crescimento.
Mas há factos e certezas que nos permitem assumir, com uma margem de risco controlado que o futuro do futebol feminino nacional só poderá ser risonho, com todos os avanços e recuos inerentes aos processos de crescimento.
Senão vejamos o seguinte. Em 2018 (ano civil e não época desportiva), a seleção nacional AA feminina disputou até ao dia 08/11/2018, 15 jogos internacionais de carácter oficial (5) e o dobro em encontros particulares (10) contra 11 seleções nacionais.
Destes 15 jogos, apenas duas selecções estão abaixo de Portugal no ranking mundial (33º), a Roménia (43º) e a Moldávia (93º). Das selecções que estão acima, apenas três conseguiram derrotar a nossa seleção em 2018: EUA, Itália e Rep. Irlanda. E destas, apenas contra os EUA a seleção nacional nunca conseguiu vencer nenhum dos 7 encontros disputados sendo o resultado mais nivelado o registado no dia 8/11/2018, no Estoril.
Posso dizer que fui uma jogadora afortunada pois defrontei as várias selecções nacionais americanas entre 1994 e 2001 (6 jogos, 6 derrotas, 30 golos sofridos e 0 marcados) mas com um enorme sentimento de impotência face ao poderio norte-americano. O jogo só tinha um sentido, o esforço em tentar prolongar no tempo o aparecimento do 1º golo era o objetivo major e a derrota era certa.Não obstante, em contrapartida ganhava-se muito nestes jogos contra os EUA (e outras selecções de igual calibre): experiência, ritmo de jogo, capacidade competitiva, crescimento colectivo e individual.
Ora, este tem sido exactamente um dos grandes trunfos desta seleção, não só o aumento do número de jogos internacionais, mas especialmente o confronto com selecções teoricamente mais fortes e que desafiam as nossas jogadoras a potenciar as suas capacidades físicas e técnico-taticas.
Convém não esquecer que em 2018, Portugal defrontou, além da campeã mundial em titulo, selecções como a Austrália (6ª do ranking mundial), em dois jogos e não perdeu nenhum. O mesmo com a Noruega (13ª), alcançado uma vitória merecida e, ainda, a China (19º), tendo vencido um e empatado outro. Não pode ser fruto do acaso. A consistência de resultados começa a aparecer gradualmente.
As jogadoras nacionais têm sido colocadas à prova em vários momentos com exigências diferentes e têm sabido dizer “presente” mesmo sabendo que temos uma Liga BPI que fica (ainda) aquém do que se pretende em termos de nível competitivo e que nela competem mais de 70% das atletas que integraram a última convocatória.
Não admira pois, nem aos mais distraídos, que o futebol feminino nacional comece a ter o destaque que merece e necessita para crescer. As jogadoras assim o vão “exigir” através do seu esforço e dedicação em representação das cores nacionais e, também, os adeptos de futebol o que querem é assistir a bons espectáculos sem preocupação de qual o género que o disputa.
Tal como Cristóvão Colombo, as selecções femininas vão desbravar o seu caminho rumo ao sucesso e crescimento sustentado e de lá não mais irão sair.
Eu acredito, e espero que todos os portugueses também!
(MJX)

(publicado originalmente no sítio do Sindicato dos Jogadores)

segunda-feira, 29 de outubro de 2018

Como foi o primeiro derby oficial entre o SL Benfica e o Sporting CP

(Créditos fotográficos: Anabela Brito Mendes)


O primeiro derby oficial entre estes dois grandes clubes não se pode dizer que tenha sido um jogo de encher o olho mas foi sempre emotivo e bem disputado. O público que se deslocou (e não foi assim tão pouco) ao Estádio da Tapadinha deu o tempo por bem empregue. A vitória sorriu, atrevo-me a dizer, naturalmente para o lado da equipa encarnada mas não sem que as jovens atletas do Sporting tenham dado luta durante grande parte do jogo. Não nos podemos esquecer que esta jovem equipa da Mariana Cabral é constituída por atletas Sub 19 reforçada pontualmente por atletas do plantel sénior.

Marcou cedo a equipa encarnada mas por esta altura do jogo era o Sporting que melhor trocava a bola entre as suas atletas, jogando curto de pé para pé. As saídas eram sempre feitas de trás para à frente e, em determinados momentos, a situação exigia um alívio rápido mas raramente isso se viu na equipa verde e branca. Claro que daqui surgem dissabores e problemas acrescidos mas a irreverência da idade está bem presente nas jovens atletas que estão num processo de crescimento que a seu tempo terá o devido retorno na equipa principal do Sporting.

Do lado do Benfica, uma equipa muito mais madura e com outros argumentos fez valer a maior experiência das suas jogadoras para ir criando situações de perigo para a baliza do Sporting. O Benfica dispõe de um leque de jogadoras de elevada qualidade com lugar em qualquer equipa que evolui na Liga BPI pelo que este seu ano de estreia será um “passeio” rumo à subida de divisão mas com os olhos postos e a atenção focada na prova rainha que é a Taça de Portugal.

Antes do 2.º golo do Benfica o Sporting teve uma excelente iniciativa que terminou com uma defesa de dificuldade elevada por parte da Daniele Neuhaus, guarda-redes encarnada. Até ao final da 1.ª parte esta toada manteve-se e o Sporting dava bem conta de si contra uma equipa de valor superior mas nem sempre evidente no decorrer deste período.

O regresso do intervalo revela uma equipa do Sporting transfigurada, para pior, incapaz de aproveitar jogar a favor do vento para causar mais dissabores ao último reduto encarnado. Este período menos conseguido por parte do Sporting observou-se em largos períodos da etapa complementar tendo ressurgido o bom futebol nos últimos minutos do jogo.

O SL Benfica na 2.ª parte dominou por completo o desafio, criando inúmeras situações de golo não concretizadas algumas por mérito da guarda-redes leonina, Carolina Jóia, com intervenções arrojadas face às jogadoras adversárias.

Não deixarei de seguir esta jovem equipa do Sporting CP sendo que até à data foi a que sofreu a derrota menos expressiva imposta pelo vizinho da 2ª circular de todos os jogos que este já disputou.

Mas, no final o que conta é o resultado e a vitória do Benfica é inquestionável e não sofre qualquer contestação. A diferença de ritmo, experiência e maturidade entre ambas as equipas é abissal e marcou a diferença neste primeiro derby oficial.

Que seja o primeiro de muitos!