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terça-feira, 2 de abril de 2019

#TodosMoçambique: um Benfica x Sporting solidário.

(Foto: Anabela Brito Mendes)



Já se sabe que o desporto em geral e o futebol em particular é um veiculo de excelência (a exemplo dos concertos musicais) para chamar a atenção da população mundial para causas de diversos âmbitos, que necessitam de ajuda urgente para que os danos não atinjam proporções (ainda mais) assustadoras quando há vidas humanas envolvidas.

Mais do que o resultado do jogo em questão (vitória do Sporting CP pela margem mínima), o que se assistiu na bancada é de realçar e deixa-nos a esperança que há vida para além de clubismos fanáticos.

Ao apelo da Federação Portuguesa de Futebol (um exemplo sempre que se fala de solidariedade, quem não se lembra das ações relacionadas com os incêndios de Pedrogão Grande?), em conjunto com o Sindicato dos Jogadores, Associação de Futebol de Lisboa, a disponibilidade do Clube Futebol “Os Belenenses” para ceder o estádio e os clubes envolvidos, os portugueses responderam “presente”. Foram mais de 15 000 adeptos presentes do Estádio do Restelo (que bela moldura humana com uma fantástica paisagem de fundo), dos dois clubes, misturados entre si (embora tenha existido a preocupação da separação física de adeptos) e que fizeram a festa. Os cânticos de cada clube não se deixaram de ouvir, cada qual puxou pela sua equipa mas num ambiente descontraído, saudável e de consciência pelo motivo que se tinham deslocado ao Restelo.

Vi, como há muito não via, famílias inteiras nas bancadas. Cada qual envergando as cores do seu clube. À minha frente estava uma família declaradamente sportinguista mas imediatamente atrás estava uma família em que cada um tinha a sua preferência e não foi por isso que deixaram de estar e festejar em conjunto.

As jogadoras foram as maiores promotoras do evento. A sua entrega ao jogo e o respeito mútuo foram notas dominantes e a fotografia final na cerimónia de entrega do troféu “Vicente Lucas” é uma imagem a reter e a promover.

O jogo, esse, deu a primeira amostra do que podemos esperar na próxima época na Liga BPI e demais competições, caso se encontrem. Foi um jogo bem disputado, com inúmeras oportunidades de golo de ambas as equipas e não existindo a pressão de pontos ou eliminatórias, facilitou os intervenientes a proporcionar um bom espetáculo a todos no estádio e aos que assistiram via televisão.

Bem sei, infelizmente, que em situação de competição, outros valores se levantam, o clubismo sobrepõem-se muitas vezes ao bom senso e acabamos por assistir a cenas que em nada dignificam os clubes e o futebol em geral. Felizmente, que no jogo de sábado nada disto ocorreu e o salutar convivo pré, durante e após o jogo foi a nota dominante. Não tenho utopia de pensar que este ambiente se possa repetir nas futuras competições mas que seria bom, lá isso seria.

Que não seja necessária outra catástrofe para assistirmos (e vivermos de perto) a outro dia para recordar na história do futebol feminino nacional, onde foi alcançado um novo máximo de assistência num jogo de futebol feminino em Portugal.

Deixo-vos uma questão… se o jogo contasse para uma competição interna, com entradas pagas (cujo valor podia ser o mesmo, 2,5€), teríamos ido todos ao Restelo?

Eu, seguramente, iria! Só assim se cresce e evolui.

segunda-feira, 25 de março de 2019

SL Benfica – SC Braga: a primeira mão das meias-finais da Taça de Portugal BPI

(Foto: Anabela Brito Mendes/Sports and Girls)

Quem me conhece e acompanha o que vou escrevendo sabe que não abordo questões técnico-táticas de jogos de futebol. Isso fica para os entendidos, que não é de todo o meu caso. Mas, como adepta de futebol, creio que consigo diferenciar um bom jogo, daqueles de encher o olho de um jogo monótono e pouco atrativo.
Ora, o jogo que opôs o SL Benfica ao SC Braga, disputado no Estádio da Tapadinha, não sendo um jogo de encher o olho teve todos os ingredientes que o tornaram de nervos, emoções fortes, de enorme entrega das jogadoras de ambas as equipas e de incerteza no resultado até soar o apito final. Os milhares de adeptos que se deslocaram ao estádio (seguramente mais de 2500) e os que assistiram através da transmissão televisiva não saíram defraudados e assistiram a um espetáculo disputado no limite.
Foi o primeiro jogo para o SL Benfica contra uma equipa da Liga BPI também profissional e era aguardado com grande expetativa para se perceber, de forma definitiva, a real qualidade da equipa lisboeta. E, quem esperava ver a equipa encarnada com prudência para perceber como o jogo ia decorrer, enganou-se. Foi a equipa que entrou mais forte, a cometer menos erros, a ter mais posse de bola e à procura do golo, que surgiu com naturalidade à passagem do minuto 25, por Darlene. Um golo de belo efeito num remate de primeira após mau alívio da defesa bracarense. A mesma jogadora podia ter aumentado a contagem quase de seguida mas a bola saiu rente ao poste. O Braga, até ao golo do Benfica, mostrou-se uma equipa muito diferente do que já vimos esta época. Não conseguia ter bola, as suas jogadoras, aparentemente, acusaram mais a responsabilidade do jogo que as suas adversárias, os passes raramente tinham o destino certo e não conseguia assentar o seu jogo. O golo da igualdade surge de um lance de bola parada, onde a GR do Benfica não fica isenta de culpa, numa saída em falso, aos 37 minutos.
A etapa complementar revelou um Braga mais próximo do que é habitual, a conseguir manter a bola em seu poder (todavia sem nunca criar lances de perigo eminente para a baliza encarnada) e a obrigar as jogadoras do Benfica a um desgaste físico adicional na procura da mesma. O Braga trouxe ao de cima a sua maior experiência mas sem nunca amedrontar a equipa encarnada. O melhor da tarde estava guardado para o minuto 68 com o monumental golo do Braga, na marcação de um canto direto pela Ágata Pimenta. O Benfica não desistiu e voltou à carga à procura do golo do empate, mas deparou-se com uma barreira chamada Rute Costa (com a segurança que lhe é reconhecida manteve a sua baliza trancada) ou com a pontaria desafinada das suas jogadoras. Mesmo sobre o apito final, num livre ainda se gritou golo pelos adeptos benfiquistas mas foi ilusão ótica, já que a bola saiu ao lado, num cabeceamento quase perfeito de Tayla.
A diferença neste jogo, em jeito de resumo, foi o aproveitamento por parte do Braga das bolas paradas e a sua maior experiência e ritmo competitivo. Não se iluda quem pense que isso não ficou demonstrado. O Benfica não tinha tido, até ao jogo de ontem, necessidade de correr atrás resultado, nunca tinha estado na posição de desvantagem e não era obrigado a mexer na sua equipa ou mudar estratégia para recuperar. Ou seja, todas estas variáveis nunca tinham sido abordadas, em contexto de jogo, quer pela equipa técnica quer pelas jogadoras. Foi toda uma realidade nunca vivenciada e isso só se treina e aprende quando acontece.
(Foto: Anabela Brito Mendes/Sports and Girls)
A eliminatória está longe de estar decidida. O Benfica vai a Braga discutir a passagem à final da Taça de Portugal BPI de igual para igual. O resultado de ontem de nada lhe serve para que consiga alcançar um dos seus objetivos na época de lançamento. Dia 20 de abril espera-se outro jogo de emoções e nervos à flor da pele.
Uma coisa é certa, o futebol feminino nacional precisa de muitos mais jogos deste calibre, dimensão e competitividade para continuar a evoluir.
Que ninguém duvide disso!

terça-feira, 19 de março de 2019

Futebol feminino - fim de semana de emoções fortes e muito mais!

(Foto: Anabela Brito Mendes - Sports and Girls)

No fim de semana de 16 e 17 de março decorreram dois jogos que opuseram as equipas do SL Benfica e o Sporting CP, no escalão sub 17 (16 de março) e séniores femininos (17 de março).
Tive a oportunidade de assistir aos dois e, permitam-me que realce que fiquei deliciada com o jogo das sub 17. Mais que o resultado, favorável ao Sporting CP, foi o constatar ao vivo a recente realidade que o futebol feminino nacional atravessa. Há cada vez mais miúdas e raparigas a jogar futebol. Deixa-me extremamente feliz e confiante que o futuro futebol feminino nacional não só pode como vai ser risonho.
O entusiasmo vivido quer dentro do terreno de jogo, quer pelos espetadores revela que o futebol feminino está em “estado de graça”. Os dados estão lançados e não há forma de parar este desenvolvimento. O aparecimento dos clubes ditos grandes permitiu dar mais e maior visibilidade ao futebol feminino nacional e, desta forma, chegar cada vez a mais adeptos de futebol em geral. Alias, atrevo-me a dizer que, se tais clubes não aparecessem, duvido que estivéssemos no presente momento a assistir a esta viragem no futebol feminino nacional. É injusto para com todos os outros que andam há anos a lutar pelo futebol feminino? É, sem dúvida. Mas o que desejo é que, daqui em diante, todos possam crescer dentro das suas realidades e proporcionar cada vez mais melhores condições não só às jogadoras mas também a treinadores e demais elementos imprescindíveis para o bom funcionamento de qualquer equipa.
Os eventos da “Festa do Futebol Feminino”, que decorrem nas Associações Distritais de Futebol e cujos vencedores se apuram para o evento final a realizar no Estádio Nacional, nos escalões Sub 13 e Sub 15, movem milhares de raparigas e fazem-nas sonhar que é possível ser jogadora de futebol em Portugal (algo impensável há meia dúzia de anos). É certo que nem todas lá chegarão e a gestão das suas expetativas em momento algum deve ser descurado, sejam pelos pais seja pelos treinadores.
Regressando às emoções do fim de semana e ao nível sénior, o jogo que opôs o Sporting CP “B” e o SL Benfica, no domingo passado, deixou-nos alguns indícios do que podemos esperar para o ano, quando estas equipas se encontrarem na Liga BPI. O Sporting CP “B”, ao apresentar-se com alguns reforços de peso, da sua equipa principal, deixou muito boa imagem nunca virando a cara à luta. O jogo foi agradável de seguir e quem se deslocou a Alcochete não saiu defraudado na expetativa de ver um bom espetáculo. O resultado sorriu para a equipa encarnada, mais adulta e que soube aproveitar cirurgicamente as oportunidades que lhe surgiram. O primeiro grande teste à real capacidade desta equipa do Benfica está marcado para o próximo dia 24/03/2019, na primeira mão das meias-finais da Taça de Portugal, contra o SC Braga. O estádio da Tapadinha prepara-se para receber uma das suas maiores assistências seguramente.
E por falar em assistências, que dizer dos mais de 60 mil espetadores que assistiram ao encontro de “La Liga”, na vizinha Espanha que opôs o Atlético de Madrid, de uma das nossas maiores referências atuais, Dolores Silva ao Barcelona. Já há uns tempos atrás tinha abordado esta temática das assistências no futebol feminino e foi sem grande espanto que tive conhecimento que os bilhetes para a final do próximo Campeonato do Mundo, a disputar em França, esgotaram cerca de 30 minutos após o início da venda online. Os ventos de mudança são transversais no mundo inteiro, cada qual dentro da sua realidade.
Razão tem o presidente da UEFA quando afirma que o “futebol feminino tem um potencial ilimitado e tem desenvolvido um conjunto de programas de apoio às federações nacionais”.

segunda-feira, 11 de março de 2019

A emoção dos quartos-de-final da Taça de Portugal BPI

(Foto: Sports and Girls - Anabela Brito Mendes; Arnaldo Amador; Maria Garcia)

Já se sabe que os jogos da Taça de Portugal são sempre uma festa e qualquer clube deseja chegar o mais longe possível e, quem sabe, chegar à final no mítico estádio do Jamor.



Os jogos do passado domingo não fugiram a essa regra e viveram-se momentos de grande festa por parte dos clubes que avançaram para as meias-finais, que serão disputadas a duas mãos. Nestes quatros jogos, há que salientar os jogos que opuseram o CF Benfica ao Valadares e o Estoril Praia ao SC Braga, sem qualquer desprimor para os outros dois, que também merecem toda atenção e destaque.



Excluindo a vitória esmagadora e por números expressivos do SL Benfica (marcou tantos golos como os registados nos outros 3 jogos - 16), houve emoção e nervos até ao final nos dois jogos entre equipas da Liga BPI.



O jogo no Futebol Benfica foi eletrizante e a incerteza no vencedor durou atá ao final dos 90 minutos. A vitória sorriu ao Valadares, mas podia ter caído para o lado das visitadas. Foi um excelente jogo para promoção da modalidade, com muitos golos de elevada qualidade técnica. 



Na Amoreira, o Estoril Praia, a única equipa a "roubar" pontos na Liga BPI ao líder isolado SC Braga, recuperou sempre da desvantagem e levou o jogo para prolongamento, obrigando o clube visitante a mostrar as credencias que o levou a eliminar o atual detentor da Taça de Portugal, o Sporting CP.



O Albergaria venceu sem grandes dificuldades o vizinho Cadima, num jogo em que a experiência e outro nível competitivo fez a diferença, seguindo justamente para as meias-finais. Se tiver oportunidade não a vai deixar fugir de estar novamente no Jamor.
O jogo SL Benfica - CA Ouriense não tem história. O resultado final diz tudo e poucas considerações podem ser efetuadas a não ser reforçar que a equipa lisboeta está preparada para qualquer desafio até chegar ao Jamor e será um sério candidato à vitória.



Mas, estes 4 jogos não são apenas motivo deste post pela sua qualidade, emoção e incerteza quanto ao resultado final. É também motivo para escrever estas linhas o empenho e destaque com que a FPF tratou estes quartos-de-final. Só não viveu as emoções destes jogos quem não quis assistir à transmissão via streaming que a FPF proporcionou a todos os adeptos de futebol. O SL Benfica foi o único que ficou de fora, mas ainda assim transmitido pelo seu canal próprio.



Só se quisermos ser pouco agradecidos é que não conseguimos reconhecer quanto o futebol feminino em Portugal tem vindo a crescer e a mudar, com a chancela da FPF. Há poucos anos andávamos a "discutir" se a final da Taça tinha ou não transmissão...agora tivemos a possibilidade de, pelo menos, ver três jogos em direto. Podem argumentar que este tipo de ações em pouco desenvolve o futebol feminino nacional. Mas, não podem argumentar é que este tipo de ações é fundamental para captar mais adeptos e espetadores, potenciar o aparecimento de parceiros/patrocinadores e, no limite, permitir às miúdas sonharem que o seu dia chegará. 



A logística para transmitir os jogos via streaming pode não ser uma grande dificuldade mas implica recursos humanos e materiais que poucos clubes dispõe.



Eu cá quero é que estas ações continuem e que me permitam viver as emoções da Taça de Portugal se não puder deslocar-me a nenhum dos campos.



Ainda mais agora que o sorteio ditou uma final antecipada entre o SC Braga e o SL Benfica. E se o jogo em Lisboa é expectável que o vá ver ao vivo, o que se vai disputar em Braga dificilmente, até porque fica no meio do fim-de-semana de Páscoa.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2019

14ª jornada da Liga BPI: CF Benfica - SC Braga

(Foto: Anabela Brito Mendes)

Disputou-se ontem (27/01/2019) a 14ª jornada da Liga BPI que teve dois encontros apetecíveis para qualquer adepto de futebol. Falo especificamente do CF Benfica - SC Braga e o Estoril - Sporting CP.

Quem se deslocou ao Estádio Francisco Lázaro, em Benfica não deu por mal empregue o tempo despendido e viu um bom jogo de futebol, com jogadas bem construídas por parte de ambas as equipas e um ritmo de jogo bem agradável. O ascendente pertenceu sempre ao SC Braga, que igual a si próprio procurou constantemente a baliza contrária. Deparou-se com uma equipa do Futebol Benfica muito personalizada, a defender coletivamente perto da perfeição e a conseguir tapar os caminhos para a sua baliza. Quando o SC Braga conseguia chegar, encontrou uma parede na baliza (que grande jogo fez a Sónia Castanheira).

As oportunidades de golo mais flagrantes, na 1ª parte, curiosamente pertenceram ao Futebol Benfica, sendo uma anulada pela Rute Costa e a outra desperdiçada à malha lateral da baliza. O SC Braga bem tentava criar perigo mas a bola teimava em não passar a linha de golo.

Na segunda metade, o cenário não mudou e o SC Braga continuava a procurar o golo de todas as formas, a jogar a toda a largura do terreno de jogo que obrigava a um esforço defensivo adicional por parte do Futebol Benfica, nunca baixou os braços, mostrou grande entreajuda entre os vários setores, uma disponibilidade física pouco comum para uma equipa que não é profissional e o enorme  potencial de crescimento da época passada para esta.

Depois de uma defesa acrobática da Rute Costa, o SC Braga manteve o pé no acelerador e continuou a procurar o golo da vitória, que surgiu nos últimos minutos quando já poucos acreditavam que seria possível face ao rigor defensivo até então apresentado pelo Futebol Benfica. O golo nasce de uma jogada de insistência do SC Braga, com uma série de ressaltos finalizada pela Vanessa Marques, num gesto técnico perfeito, à primeira vista, em posição irregular.

A equipa de arbitragem não teve dúvidas e validou (e bem) o golo do SC Braga dado que a bola vem de uma defesa do Futebol Benfica cujo alivio da bola não levou a direção desejada e ficou à mercê da Vanessa Marques que não perdoou *. 

O empate não seria um resultado injusto e um prémio merecido por todo o rigor defensivo e coletivo do Futebol Benifica (não se iluda quem pense que se limitou a defender).

Mas o SC Braga mostrou toda a sua qualidade e capacidade que o faz continuar no 1º lugar da Liga BPI invicto e só com vitórias.

Foi, efetivamente, um jogo de nervos e emocionante até ao fim.



* Sem mudar o conteúdo do post, impõe-se efetuar a correção que o golo do SC Braga é, efetivamente, alcançado em posição irregular após termos visionado, mais de uma vez, as imagens e consultado a Lei do fora de jogo, em conjunto com quem sabe desta matéria. 

quarta-feira, 5 de dezembro de 2018

O jogo grande da jornada 10 da Liga BPI – Sporting CP - SC Braga


(Francisca Cardoso e Diana Silva )

Não pretendo fazer nenhuma antevisão do que este jogo nos poderá proporcionar do ponto de vista técnico ou táctico. Deixo isso para os entendidos. Os últimos confrontos entre estas duas grandes equipas não foram dos mais bem jogados para a promoção do futebol feminino nacional como ele merece. Se as duas melhores equipas nacionais, com as melhores executantes não conseguem proporcionar os melhores jogos de futebol, a própria competição ressente-se pois precisa é de espetáculos para captar cada vez mais adeptos para a causa.

Sem qualquer leviandade de me querer intrometer no trabalho semanal das duas equipas técnicas, desejo sinceramente que o jogo dia 9 de Dezembro seja um desafio de encher o olho a todo e qualquer adepto de futebol.

Todavia, talvez não tenhamos essa sorte porque este jogo encerra grande responsabilidade para ambas as equipas e pode resolver, quase de imediato, a atribuição do título de Campeão da Liga BPI de 2018/2019, antes do final da primeira volta, caso o Braga vença em Alcochete. Pela 2ª vez, o clube leonino vê-se obrigado a correr atrás do prejuízo (a primeira foi no jogo realizado em Alvalade em que o Sporting tinha que vencer para anular a vantagem do Braga, na primeira edição da Liga Allianz, num jogo electrizante com mais de 9000 adeptos nas bancadas). Na jornada 10 o cenário irá repetir-se, o clube de Alvalade tem 2 pontos a menos que o Braga, fruto do empate concedido na Madeira.

Poderia dizer, sustentado apenas nos resultados, que o Braga está a jogar melhor que o Sporting nesta presente época. Leva 54 golos marcados, o dobro do Sporting (27). Mas será esta uma análise correta? Incompleta será certamente porque haverá outras variáveis que teríamos que tipificar. Lembro-me, assim de repente, da eficácia de concretização de ambas as equipas.

O que posso dizer, sendo uma opinião muito pessoal, é que o Sporting tem muito mais a perder neste jogo que o Braga. Se bem se recordam, o clube de Alvalade teve um período tumultuoso no início da época, com eleições que foram tema de intermináveis conversas de café. Podemos considerar que tal não teria repercussões nas equipas leoninas em competição, que são máquinas oleadas, preparadas em qualquer circunstância e imunes a qualquer mudança. Errado, toda e qualquer atividade na estrutura directiva tem reflexo nas equipas do clube. A incerteza que paira não permite que o trabalho que se pretende realizar decorra de forma serena como se exige.

O Braga, depois da conquista da Supertaça, em Viseu, quebrou o enguiço e ergueu o seu primeiro troféu nacional. O que mais me tem fascinado nesta equipa do Minho é o caudal ofensivo, a procura constante da baliza adversária e concretizar todos os golos que conseguir, independentemente do adversário, sem nunca abrandar o ritmo de jogo. Será que vai manter este padrão de jogo no próximo domingo? A acontecer, será uma enorme demonstração de personalidade da equipa.

Ao Sporting, apenas a vitória interessa. Não só para recuperar a desvantagem pontual mas especialmente para dar novo alento a uma equipa que já ganhou tudo internamente e transmitir uma prova inequívoca que está firme na luta pela reconquista de todos os troféus ainda em disputa, colocando um ponto final em jogos menos conseguidos. Creio que o Nuno Cristóvão tem mais dores de cabeça para escolher as 11 titulares que o Miguel Santos no Braga. Não que considere que o Braga tem menos opções, bem pelo contrário. Não tem é um plantel desenhado e construído maioritariamente com jogadoras portuguesas de elevada qualidade, todas internacionais e, que de uma época para outra, não são primeira opção.

O Braga, mais confortável na situação de líder isolado da Liga BPI, não se vai fazer rogado se puder sair de Alcochete com os 3 pontos e, desta forma, dar um passo de gigante na conquista do troféu em disputa. Haverá ainda muita Liga até ao fim, mas o Sporting perdendo já não dependerá exclusivamente de si.

Na verdade, creio que o mais correto é afirmar que só podemos perceber quem está, efectivamente, melhor quando estas duas grandes equipas se defrontarem pois estarão ambas sujeitas aos mesmos níveis de dificuldade e exigência, onde qualquer pequena falha pode comprometer o resultado final.

Uma coisa é garantida, o único pensamento das 22 jogadoras a entrar em campo no domingo vai ser a vitória. 

Até porque são estes jogos que mais adrenalina libertam.

Muito sucesso ao Sporting CP e ao SC Braga e que proporcionem um excelente jogo de futebol.

quarta-feira, 14 de novembro de 2018

A propósito das 500 vitórias da seleção nacional feminina dos Estados Unidos da América

(Créditos: FPF)
Não tendo sido o continente americano descoberto por portugueses (nem sobre a alçada portuguesa) na memorável época dos Descobrimentos, atrevo-me a dizer que Cristóvão Colombro passou anos suficientes em Portugal a estudar e desenvolver um plano, na altura para alcançar as Índias, por rota alternativa quando “esbarrou” em terra e descobriu o Novo Mundo. Podia ter sido mais uma glória dos navegadores que saíram de Portugal mas o Rei D. João II tinha outros interesses (descobrir um outro caminho que contornasse África, como foi depois alcançado por Vasco da Gama), pelo que não deu ouvidos a Cristóvão Colombo e este virou-se para nuestros hermanos.
Com esta muito resumida introdução histórica atrevo-me a dizer que sem Portugal os Estados Unidos da América (EUA) não existiriam e nem a seleção americana teria alcançado a marca histórica de 500 vitórias em 639 jogos. É um feito fantástico que merece uma celebração ao estilo tipicamente americano como se da descoberta de um novo continente se tratasse.
Mas o que me leva a escrever umas linhas parte de um conjunto de questões do género “E se…”. Note-se que a seleção nacional feminina dos EUA fez o seu primeiro jogo em 1985. Bom, a seleção feminina portuguesa fez o seu primeiro jogo em 1981, quatro anos antes. Daí que:
-  E se, em 1983, a Federação Portuguesa de Futebol não tivesse dado indicação e terminado com as atividades da seleção feminina sem motivo que o justificasse?;
-  E se, a exemplo do que ocorre nos EUA, as jogadoras portuguesas tivessem tido sempre as mesmas condições de crescimento e desenvolvimento das suas qualidades e aptidões?
E se, conseguíssemos alcançar o mesmo número de jogadoras (proporcionalmente ao nossa país, obviamente) que os EUA e, desta forma, “obrigássemos” os clubes a disponibilizar todos os escalões de formação e, ainda,  proporcionar mais e melhores condições às jogadoras da equipa principal?;
-  E se,… podia continuar por aqui fora que não concluiria coisa alguma, a não ser que a seleção portuguesa foi amputada em 10 anos de crescimento.
Mas há factos e certezas que nos permitem assumir, com uma margem de risco controlado que o futuro do futebol feminino nacional só poderá ser risonho, com todos os avanços e recuos inerentes aos processos de crescimento.
Senão vejamos o seguinte. Em 2018 (ano civil e não época desportiva), a seleção nacional AA feminina disputou até ao dia 08/11/2018, 15 jogos internacionais de carácter oficial (5) e o dobro em encontros particulares (10) contra 11 seleções nacionais.
Destes 15 jogos, apenas duas selecções estão abaixo de Portugal no ranking mundial (33º), a Roménia (43º) e a Moldávia (93º). Das selecções que estão acima, apenas três conseguiram derrotar a nossa seleção em 2018: EUA, Itália e Rep. Irlanda. E destas, apenas contra os EUA a seleção nacional nunca conseguiu vencer nenhum dos 7 encontros disputados sendo o resultado mais nivelado o registado no dia 8/11/2018, no Estoril.
Posso dizer que fui uma jogadora afortunada pois defrontei as várias selecções nacionais americanas entre 1994 e 2001 (6 jogos, 6 derrotas, 30 golos sofridos e 0 marcados) mas com um enorme sentimento de impotência face ao poderio norte-americano. O jogo só tinha um sentido, o esforço em tentar prolongar no tempo o aparecimento do 1º golo era o objetivo major e a derrota era certa.Não obstante, em contrapartida ganhava-se muito nestes jogos contra os EUA (e outras selecções de igual calibre): experiência, ritmo de jogo, capacidade competitiva, crescimento colectivo e individual.
Ora, este tem sido exactamente um dos grandes trunfos desta seleção, não só o aumento do número de jogos internacionais, mas especialmente o confronto com selecções teoricamente mais fortes e que desafiam as nossas jogadoras a potenciar as suas capacidades físicas e técnico-taticas.
Convém não esquecer que em 2018, Portugal defrontou, além da campeã mundial em titulo, selecções como a Austrália (6ª do ranking mundial), em dois jogos e não perdeu nenhum. O mesmo com a Noruega (13ª), alcançado uma vitória merecida e, ainda, a China (19º), tendo vencido um e empatado outro. Não pode ser fruto do acaso. A consistência de resultados começa a aparecer gradualmente.
As jogadoras nacionais têm sido colocadas à prova em vários momentos com exigências diferentes e têm sabido dizer “presente” mesmo sabendo que temos uma Liga BPI que fica (ainda) aquém do que se pretende em termos de nível competitivo e que nela competem mais de 70% das atletas que integraram a última convocatória.
Não admira pois, nem aos mais distraídos, que o futebol feminino nacional comece a ter o destaque que merece e necessita para crescer. As jogadoras assim o vão “exigir” através do seu esforço e dedicação em representação das cores nacionais e, também, os adeptos de futebol o que querem é assistir a bons espectáculos sem preocupação de qual o género que o disputa.
Tal como Cristóvão Colombo, as selecções femininas vão desbravar o seu caminho rumo ao sucesso e crescimento sustentado e de lá não mais irão sair.
Eu acredito, e espero que todos os portugueses também!
(MJX)

(publicado originalmente no sítio do Sindicato dos Jogadores)

segunda-feira, 29 de outubro de 2018

Como foi o primeiro derby oficial entre o SL Benfica e o Sporting CP

(Créditos fotográficos: Anabela Brito Mendes)


O primeiro derby oficial entre estes dois grandes clubes não se pode dizer que tenha sido um jogo de encher o olho mas foi sempre emotivo e bem disputado. O público que se deslocou (e não foi assim tão pouco) ao Estádio da Tapadinha deu o tempo por bem empregue. A vitória sorriu, atrevo-me a dizer, naturalmente para o lado da equipa encarnada mas não sem que as jovens atletas do Sporting tenham dado luta durante grande parte do jogo. Não nos podemos esquecer que esta jovem equipa da Mariana Cabral é constituída por atletas Sub 19 reforçada pontualmente por atletas do plantel sénior.

Marcou cedo a equipa encarnada mas por esta altura do jogo era o Sporting que melhor trocava a bola entre as suas atletas, jogando curto de pé para pé. As saídas eram sempre feitas de trás para à frente e, em determinados momentos, a situação exigia um alívio rápido mas raramente isso se viu na equipa verde e branca. Claro que daqui surgem dissabores e problemas acrescidos mas a irreverência da idade está bem presente nas jovens atletas que estão num processo de crescimento que a seu tempo terá o devido retorno na equipa principal do Sporting.

Do lado do Benfica, uma equipa muito mais madura e com outros argumentos fez valer a maior experiência das suas jogadoras para ir criando situações de perigo para a baliza do Sporting. O Benfica dispõe de um leque de jogadoras de elevada qualidade com lugar em qualquer equipa que evolui na Liga BPI pelo que este seu ano de estreia será um “passeio” rumo à subida de divisão mas com os olhos postos e a atenção focada na prova rainha que é a Taça de Portugal.

Antes do 2.º golo do Benfica o Sporting teve uma excelente iniciativa que terminou com uma defesa de dificuldade elevada por parte da Daniele Neuhaus, guarda-redes encarnada. Até ao final da 1.ª parte esta toada manteve-se e o Sporting dava bem conta de si contra uma equipa de valor superior mas nem sempre evidente no decorrer deste período.

O regresso do intervalo revela uma equipa do Sporting transfigurada, para pior, incapaz de aproveitar jogar a favor do vento para causar mais dissabores ao último reduto encarnado. Este período menos conseguido por parte do Sporting observou-se em largos períodos da etapa complementar tendo ressurgido o bom futebol nos últimos minutos do jogo.

O SL Benfica na 2.ª parte dominou por completo o desafio, criando inúmeras situações de golo não concretizadas algumas por mérito da guarda-redes leonina, Carolina Jóia, com intervenções arrojadas face às jogadoras adversárias.

Não deixarei de seguir esta jovem equipa do Sporting CP sendo que até à data foi a que sofreu a derrota menos expressiva imposta pelo vizinho da 2ª circular de todos os jogos que este já disputou.

Mas, no final o que conta é o resultado e a vitória do Benfica é inquestionável e não sofre qualquer contestação. A diferença de ritmo, experiência e maturidade entre ambas as equipas é abissal e marcou a diferença neste primeiro derby oficial.

Que seja o primeiro de muitos!

terça-feira, 19 de junho de 2018

2017/2018 - A época em revista


A época que agora terminou confirmou todo o potencial da equipa do Sporting CP que revalidou o título nacional da Liga Allianz, reconquistou a Taça de Portugal e adicionou a estes troféus a conquista da Supertaça, tendo sempre como adversário direto o SC Braga.

A época começou bem cedo para o Sporting CP com a participação no mini torneio de qualificação para a UEFA Women's Champions League (UWCL), realizado em Budapeste, Hungria. Nesta primeira participação a equipa verde e branca não conseguiu passar à fase seguinte, após ter perdido o jogo inaugural.

Internamente, a época começou a 3 de setembro com a realização da Supertaça tendo como equipas os suspeitos de sempre, Sporting CP e SC Braga. O jogo, analisado na altura, valeu pela emoção e incerteza do resultado, especialmente quando o SCP empata já em período de compensação e leva a decisão para prolongamento. Nestes 30 minutos, o SCP revelou-se melhor a todos os níveis o que não é de estranhar dado que nesta altura já tinha realizado jogos altamente competitivos como os que são os do MT da UWCL. Este foi talvez em toda a época o jogo em que o SC Braga esteve mais perto de derrotar o Sporting CP e conquistar o seu primeiro troféu, desde que regressou à modalidade.

A Liga Allianz muito cedo ficou decidida contrariamente ao que os treinadores sempre deram a entender (o que se percebe, há que motivar as jogadoras e manter os adeptos em redor das equipas). Ao triunfar em Braga, na 3ª jornada (30 de setembro 2017), a equipa leonina deu um passo de gigante rumo ao bi campeonato, como viria a acontecer. O empate verificado em Vila Verde pelo SC Braga na 6ª jornada aumentou a diferença pontual para 5 pontos, sendo que a 5 de novembro a Liga Allianz estava entregue. Para poder aspirar a mudar este cenário o SC Braga teria que ter feito muito mais no jogo em Alvalade, mas o jogo foi muito pouco emotivo.

Uma palavra de reconhecimento a todas as outras equipas que participaram na Liga Allianz, que lutam com "armas" desiguais quando comparado com estas duas grandes equipas. Nem o Estoril Praia, que se reforçou e bem para os lados de Benfica conseguiu fazer mossa pese embora o empate alcançado quando recebeu o Sporting CP. A diferença de argumentos é abissal e assim irá manter-se (ou até mesmo aumentar).

Admito que este texto peca por não ter uma abordagem ao Campeonato de Promoção. Não porque seja uma competição menor mas por manifesta falta de disponibilidade para acompanhar estes jogos. Sei, todavia, que há muitas jogadoras com enormes potencialidades e que aguardam a sua oportunidade para dar o salto para uma equipa de nível superior.  Deixo o desafio a quem segue esta competição para relatar as incidências da mesma. Até porque a conquista do título por parte da Ovarense está envolta em grande polémica e seria importante que tudo ficasse devidamente esclarecido em nome da verdade desportiva.

A Final da Taça de Portugal, disputada no final de maio foi outro espetáculo fantástico. Mais uma vez, a vitória sorriu ao Sporting CP, já no prolongamento, depois de um jogo em que o SC Braga viu um golo ser anulado (e bem) pelo VAR e dispôs de várias oportunidades flagrantes para se adiantar no marcador. O disparo a mais de 30 metros da Diana Silva só parou no fundo das redes da Rute Costa.

Umas notas finais para a seleção feminina. A eliminação da fase final do Campeonato do Mundo de 2019, em França ficou consumada no passado dia 8 de junho, com a derrota em Florença, contra a Itália. Portugal iniciou esta caminhada com a moral em alta depois da participação história no EURO 2017, na Holanda. O grupo não se antevia fácil mas permitia efetivamente sonhar com a qualificação. A derrota no jogo inaugural, contra a Bélgica, foi um enorme balde de água fria mas nada estava perdido. Portugal retomou a senda vitoriosa impondo uma goleada à Moldávia e ganhava alento para o jogo contra a Itália, realizado no Estoril. Se há jogo que em que a sorte não protegeu Portugal e nada quis connosco foi este. O pragmatismo italiano voltou a fazer das suas.

Pelo meio, Portugal realizou um brilhante percurso na Algarve Cup, garantindo um 3º lugar nunca antes alcançado e mostrou toda a sua evolução a países que normalmente não se cruzam no nosso caminho. As opiniões foram unânimes mas esta foi a que eu melhor retive.

Agora é tempo de recuperar e recarregar baterias. As exigências da próxima época estão aí à porta. O Sporting CP é o primeiro a entrar em ação com a participação, novamente, no mini torneio de qualificação para a UWCL, logo no inicio de agosto (a época será longa).

Para a próxima época teremos outros motivos de interesse e que vão aumentar seguramente a visibilidade do futebol feminino nacional. Refiro-me, especialmente, ao arrancar da equipa do SL Benfica e das suas legitimas aspirações a chegar à final da Taça de Portugal.

Mas sobre isto, falaremos noutra oportunidade.

Agora é tempo de apoiar a nossa seleção maior no Mundial da Rússia.

Boas férias.

quinta-feira, 14 de junho de 2018

Conseguirá o futebol feminino mover multidões?



Nas últimas semanas decorreram vários jogos de relevo pelo mundo fora e que foram noticia não só pela importância das respetivas competições mas sim pelo número de espectadores que se deslocaram ao estádio para assistir ao vivo e a cores aos vários jogos.

Quem é que não se lembra da final do Campeonato do Mundo de 1999, entre os Estados Unidos da América (EUA) e a China, realizado nos EUA e que teve uma assistência de 90 185 espetadores?

Mas se a nível de selecções já havia registos bastante animadores sobre o número de espectadores (basta recordar os jogos da Holanda no seu país para o EURO 2017 e mais recentemente num dos jogos de qualificação para o Mundial 2019), a nível de clubes não é frequente ter-se informação tão detalhada. De forma que quando é divulgado que o jogo que iria atribuir o título de campeão da Liga MX Femenil (México) teve uma assistência de 51 211 espetadores no estádio, a surpresa é enorme (pelo menos para mim foi). Mas não se ficou por aqui dado que a Final da Taça de Inglaterra entre o Chelsea e o Manchester City levou ao Estádio de Wembley 45 423 adeptos. É obra, há que reconhecer.

Internamente, não andamos longe do que se vai vendo pela Europa fora. O aparecimento de equipas como o Sporting CP e o SC Braga veio dar à modalidade um impulso (e destaque) nunca antes observado bem como fez regressar a Portugal um conjunto de jogadoras que evoluíam em equipas estrangeiras e, com elas uma melhoria significativa na qualidade dos jogos. Aliás, os jogos do Sporting CP realizados em Alvalade representam as maiores assistências registadas na Liga Allianz e ambas as finais da Taça de Portugal, entre o Sporting CP e o SC Braga, as maiores assistências no nosso futebol feminino (mais de 12 000 e 11 714 espetadores em 2016/2017 e 2017/2018, respetivamente). Pode parecer uma tremenda injustiça para as equipas que andam há décadas a lutar pelo futebol feminino nacional, mas a mercado funciona assim mesmo. Espero que consigam crescer também com este destaque que agora se observa. Seria de elementar justiça.

A juntar a esta assistência no estádio, não podemos negligenciar os números fantásticos da assistência através da RTP 1, com mais de meio milhão de espetadores. Para a próxima época teremos mais uma equipa a contribuir para esta dinâmica, o SL Benfica, que mesmo entrando pelo Campeonato de Promoção vai apostar bem forte para chegar à final da Taça de Portugal no ano de estreia.

Mas, como surgem estas assistências pouco usuais no futebol feminino? Bom, isso pode ser explicado de várias perspectivas mas a partir do momento em que a FIFA reconhece que o futebol feminino é o futuro cria-se uma nova marca que, para ter sucesso, tem que ser apetecível comercialmente. Tomando por exemplo Ligas tão competitivas como a alemã, inglesa e francesa, regra geral, são equipas destas ligas que discutem o apuramento para a Final da UEFA Women's Champions League (UWCL) até às últimas eliminatórias (este ano estiveram nas meias-finais 2 equipas inglesas, Chelsea e Mancherter City). A final deste ano, em Kiev, disputada entre o Lyon e o Wolsburgo teve uma assistência acima dos 11 000 espetadores. 

Quem se recorda da Final disputada, em 2014, em Lisboa? Foram 11 217 os espetadores que se deslocaram ao Estádio do Restelo para assistir a três espectáculos num só... A vista fenomenal que o estádio proporciona sobre Lisboa, a final entre o Wolsburgo e o Tyresö FF e no final foram brindados com um concerto do Anselmo Ralph.

Mais recentemente, o presidente da UEFA, Aleksander Čeferin, afirmou que a final da UEFA Women's Champions League irá tornar-se num dos pontos altos do calendário por direito próprio. Tanto é que a edição de 2017/2018 foi a última em que ambas as finais desta competição se disputaram na mesma cidade.

Se num dado momento a fórmula foi importante para dar impulso à final feminina, atraindo mais comunicação social e espetadores (uma vez que se disputavam com um dia de intervalo, feminina à quinta-feira e a masculina ao sábado), atualmente torna-se cada vez mais complicado conseguir logisticamente acomodar os milhares de adeptos que se deslocam massivamente para as cidades onde se disputam as finais. Mas esta separação permite, especialmente, promover cada vez mais a final feminina e negociar direitos (televisivos, por exemplo) individualmente sem estar incluída no pacote negociado para a final masculina.

É, sem dúvida, um avanço tremendo e uma mudança na forma de pensar (e mesmo negociar). A cidade de Budapeste será o palco para a final feminina de 2018/2019 enquanto a masculina será realizada em Madrid.

Não só em Portugal se assiste à entrada dos chamados clubes grandes no futebol feminino. Na vizinha Espanha apenas o Real Madrid continua resistente mas os seus maiores rivais (Barcelona e Atlético de Madrid) têm equipas que dão cartas pela Europa fora. Também de Inglaterra chegam boas noticias, com a criação de equipa feminina no Manchester United de forma a dar continuidade ao projeto de formação que tão boas jogadoras têm formado para depois serem contratadas por outras equipas, que agora serão adversárias. Mais recentemente, boas novas de Itália com o Milan a comunicar a intenção de criar uma equipa feminina (através da aquisição dos direitos desportivos do Brescia) e, com toda a certeza, discutir taco a taco as várias competições com a Juventus.

Sejamos honestos, são os clubes grandes que movem multidões, que chamam espetadores aos estádios e "exigem" mais atenção por parte das Instituições que regem o futebol feminino. A FIFA e a UEFA viram e perceberam rapidamente que há um novo filão a explorar (e bem) mas isso só ocorre porque o que se traduz dentro do terreno de jogo são espetáculos de enorme qualidade técnico-táctica, através de jogadoras com capacidades desportivas elevadas, capazes de fazer maravilhas com a bola e assim captar e cativar os adeptos de futebol. Se assim não fosse, o futebol feminino não se tornaria numa marca apetecível.

Sim, o futebol feminino vai ter destaque por si só e vai mover multidões!

Porque fez por merecer esse destaque!

Porque a qualidade dos jogos e as suas jogadoras assim o exigem!