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sábado, 12 de outubro de 2019

Liga BPI 2019/2020 - 3ª jornada



Após três semanas de interregno, volta a emoção ao futebol feminino com o regresso da Liga BPI. 
Dois jogos a serem transmitidos no Canal 11, prova de que a promoção à modalidade veio para ficar.

Estoril Praia vs SL Benfica - o primeiro jogo a ser transmitido, sábado às 11 da manhã. Deslocação breve do Benfica, a meia dúzia de quilómetros de casa. Jogo bastante difícil para o Estoril, apesar das suas aspirações em igualar ou melhorar a classificação da época passada. O ataque do Benfica é muito complicado de travar e a hora do jogo não irá beneficiar a equipa da casa que não tem rotina sequer de treino a essa hora. Por seu lado o Benfica irá querer manter o seu registo vitorioso intocável, na jornada que antecede o grande confronto com o Sporting. Mais cedo ou mais tarde irá inaugurar o marcador e tornar fácil a tarefa. 

UR Cadima vs SC Braga - o segundo jogo a ter transmissão no Canal 11, domingo ao meio dia. O Cadima já conseguiu pontuar, mas não terá tarefa fácil. O Braga é uma equipa que leva muito a sério os adversários que não são profissionais e esse respeito invariavelmente tem resultados positivos. Domingo será uma questão de números, porque os três pontos irão para o Minho, sem dúvida.

Clube de Albergaria vs Valadares Gaia - confronto de iguais, ambas equipas com três pontos e ambas perderam com o mesmo adversário: o Futebol Benfica. Duas treinadoras ao leme, que se conhecem bem e que sabem que estes jogos poderão ter desfecho favorável imprevisível. Melhor reforçado o Valadares, mas só quando a bola começar a rolar isso poderá ser uma realidade. Jogo para tripla, se houvesse totobola. 

Futebol Benfica vs CA Ouriense - já um clássico do futebol feminino português. Na pré-época o Fofó foi a Ourém perder por 3-1, mas desde que começou a competição a sério, o Ouriense não conseguiu ainda materializar aquele ascendente. Uma derrota e um empate, ambos em casa, são um registo que não deveria estar nem nas piores previsões, já que investiu bastante no reforço da equipa. O jogo de domingo será bastante difícil já que o Futebol Benfica irá querer manter a dinâmica vitoriosa, antes da difícil deslocação a Braga na jornada seguinte. Não obstante todas estas circunstâncias, o jogo poderá ter qualquer desfecho. 

CS Marítimo vs GDC A-dos-Francos - jogo claramente favorável para a equipa da casa, que já foi vencer a Ourém. Tem em Telma Encarnação o seu grande trunfo, com dois golos marcados, um em cada jornada, sendo que o segundo foi ao Braga. Veremos como se apresenta o A-dos-Francos após esta longa paragem, mas não deverá ser suficiente para se impôr ao Marítimo.

Sporting CP vs AD Ovarense - mais um jogo daqueles em que a responsabilidade está claramente toda de um lado - neste caso do Sporting - e em que a outra equipa poderá tentar fazer o melhor possível e crescer no confronto directo com algumas das melhores jogadoras portuguesas. Jogo sem grande história que se fará de muitos golos, certamente. 

Que a jornada decorra de forma tranquila e com rivalidade saudável.

#RespondeEmCampo
#DeixaJogar
#WePlayStrong

sexta-feira, 20 de setembro de 2019

Liga BPI 2019/2020 - 2ª jornada



Cumprida a primeira jornada, a Liga BPI mantém o mesmo registo da época passada: golos para todos os gostos e em todos os jogos. Todos os jogos tiveram três golos, exceptuando o Benfica que esmagou o A-dos-Francos por 24-0, um resultado que merece uma reflexão profunda sobre como aperfeiçoar a participação nesta Liga BPI. Esta disparidade não serve os interesses da modalidade, não é boa para as jogadoras e só alguns fanáticos ainda rejubilam com este tipo de resultados. Braga e Sporting como que ficam "obrigados" a jogar para obter um resultado semelhante, não vá dar-se o caso de todos terminarem empatados em pontos e resultados entre si. Seria inédito, mas só porque nunca aconteceu, não significa que não possa acontecer. 
Vejamos os confrontos para a jornada 2:

Valadares vs Futebol Benfica - um clássico conhecido pelo equilíbrio entre as forças, embora a história dê vantagem ao Futebol Benfica. Mas a história não joga e neste jogo, antecipado para amanhã, o Valadares talvez tenha algum favoritismo. Joga em casa, reforçou-se bem e o Fofó terá pela frente um grande desafio. Será certamente um jogo bastante interessante de se acompanhar e sem resultado certo.

Braga vs Marítimo - depois da derrota frente ao Sporting, o Braga não pode dar mais folga nos resultados desta Liga. De qualquer modo o Marítimo não tem equipa para afrontar as bracarenses em casa, já que as condições são díspares. Um jogo perfeitamente tranquilo, com vitória da equipa da casa e as insulares poderão aproveitar para evoluir mais um pouco, porque é na dificuldade que se cresce. 

Ovarense vs Benfica - mais um jogo desnivelado. Uma Ovarense que perdeu na primeira jornada e o mais que poderá almejar é adiar a inauguração do marcador. No entanto não deverá ser por muito tempo, já que o Benfica tem uma frente de ataque que põe em sentido toda e qualquer equipa. Este jogo será transmitido pelo Canal 11.

Clube de Albergaria vs Estoril Praia - um empate na época passada, pode muito bem repetir-se este ano. Embora o Estoril seja sempre uma equipa muito ofensiva, as da casa não quererão abdicar de pontuar. Jogo que, ainda assim, poderá ter qualquer desfecho, tal a imprevisibilidade de comportamento de ambas equipas.

Ouriense vs Cadima - o Ouriense não começou da melhor forma a Liga, já que se deixou surpreender pelo Marítimo, perdendo por 1-2. Não estaria nos seus planos, certamente, visto que fez algum investimento reforçando a equipa com jogadoras bastante experientes e algumas estrangeiras. Pela frente terá um Cadima recém-promovido e igualmente com uma derrota. Apesar da muito boa vontade deste, o Ouriense é claramente favorito.

A-dos-Francos vs Sporting - não é de todo o jogo ideal para o A-dos-Francos recuperar do desaire frente ao Benfica. Será um jogo sem história e a única incógnita é saber se a treinadora do Sporting mandará as suas jogadoras carregar sem dó nem piedade para se aproximar do goal-average do Benfica, ou se aproveitará para ver outras jogadoras em acção. De qualquer modo, o Sporting será sempre um adversário mortífero. 

Uma boa jornada cheia de correcção e fair-play, nunca é demais desejar.

#RespondeEmCampo
#DeixaJogar
#WePlayStrong

sexta-feira, 29 de março de 2019

Benfica x Sporting - derby feminino por Moçambique


Mal se soube da criação de uma equipa feminina por parte do Sport Lisboa e Benfica, instalou-se a natural curiosidade sobre quando é que iria acontecer o derby Benfica-Sporting. Esse confronto, entre as melhores equipas de ambos emblemas, estaria naturalmente agendado para a época 2019/2020. Apesar de ter entrado para o escalão inferior, o Benfica construiu uma equipa fortíssima que lhe garantia a subida de divisão de forma tranquila. Já houve confrontos entre ambos, tanto na formação, como nas seniores, mas com a equipa 'B' do Sporting. E não é nada disso que o público adepto, tanto dos clubes como do futebol feminino, deseja ver.

Foram causas naturais, daquelas que ainda que previsíveis ninguém controla, as "causadoras" da antecipação deste confronto. O ciclone tropical Idai, que irrompeu pela costa leste de Moçambique e deixou um rasto de destruição e devastação, foi, portanto, o leitmotiv deste evento solidário agendado para amanhã, 30 de Março, pelas 16 horas no Estádio do Restelo.

Não podia haver melhor motivo para esta estreia. Sendo equipas de clubes com uma rivalidade centenária, que nem sempre se manifesta publicamente da maneira mais assertiva e correcta, o facto de se defrontarem para um evento solidário extra-competição poderá levar, assim o esperamos, a que o público se fixe nos pormenores do jogo e no talento das jogadoras, deixando de lado o folclore da má criação habitual nestes jogos. 

Não deverá haver grandes dúvidas de que as equipas se apresentarão na sua máxima força. E isso até revelará o respeito dos treinadores pelo carácter social e solidário do evento. 

Ambas as equipas têm coisas boas a retirar deste jogo, para além da sensação de conforto emocional por estarem a ajudar o povo de Moçambique. Para o Benfica, será a oportunidade de ter um adversário, novamente, à sua altura e perceber até que ponto tem uma equipa para lutar pelo título na Liga BPI, na próxima época. O Sporting ainda poderá ter algo a ganhar até ao final desta. O confronto com o Braga, na penúltima jornada, com uma vitória por mais 3 golos, dar-lhe-á o título. Portanto, o jogo de amanhã poderá ser um bom teste para a capacidade táctica e anímica da equipa. 

Sejam quais forem as motivações das equipas, seguramente será um jogo emocionante e rico. Excelentes executantes de ambos os lados, serão elas que farão o espectáculo e alegrarão as bancadas do Restelo. Que haja golos, para que a festa seja melhor.

Para que tudo seja perfeito, esperemos que as pessoas adiram e pintem as bancadas de vermelho e verde. E que o bom senso se sobreponha à rivalidade e haja palmas para todas as jogadoras envolvidas neste evento, joguem elas ou não. 

#TodosMoçambique



sexta-feira, 14 de setembro de 2018

Liga BPI quase a estrear

 
 
Depois da época oficial se ter iniciado com a Supertaça, da qual saiu vencedora a equipa do SC Braga, vencendo o Sporting CP nas grandes penalidades após um empate a uma bola, começa este fim de semana a nova Liga BPI.
Na prática será em tudo igual à anterior competição, só mudando o nome do patrocinador.
À semelhança das duas épocas anteriores, os favoritos à conquista do título serão Sporting CP e SC Braga. Por muito monótono e contraproducente que seja, o favoritismo e a responsabilidade do título recaem nas duas equipas que têm uma estrutura toda ela dedicada tão e somente ao futebol feminino, jogadoras incluídas.
A curiosidade será em ver como reagirá o Sporting CP à perda da Supertaça, já que outro dos objectivos por demais desejado - a passagem à fase a elimina da UEFA Women's Champions League - também não foi alcançado. Ou seja, o Sporting CP entra para a Liga BPI carregado de frustração. Se por um lado isso poderá ser motivador, aquela coisa de "o que não nos mata, torna-nos mais fortes", por outro se o grupo não estiver suficientemente maduro e agregado, a dificuldade em ultrapassar a frustração pode fazer estragos. E isso só agora poderemos ver, já que numa equipa que vence sempre, é mais fácil os atritos serem relevados.
O SC Braga entra na época cheio de confiança, já que ao oitavo embate finalmente sai vitorioso. E logo uma vitória que dá um título. Veremos como a equipa se irá desenvolver, já que tem muitas jogadoras novas e o jogo da Supertaça não foi propriamente brilhante. Embora tenham acabado em crescendo.
Analisando, então a primeira jornada:
 
SC Braga - A-dos-Francos - o Braga recebe a equipa que na época passada se salvou in extremis da descida. Confronto muito desigual e se a equipa visitante viajar no próprio dia, o que é habitual em função dos parcos orçamentos, ainda ajudará mais a cavar o fosso. Mantendo a maioria das jogadoras da época passada, o A-dos-Francos terá sempre grande dificuldade perante adversários desta valia.
 
Sporting CP - AD Ovarense - o campeão, ferido, a receber uma das equipas que se vai estrear no novo formato de competição. Para o Sporting será um jogo para ganhar, assim o exige o seu estatuto, ainda para mais jogando em casa. Para a Ovarense é um jogo cheio de motivações extra: contra o campeão, jogar na Academia, ter transmissão televisiva, e onde não se lhe pode assacar mais nenhuma responsabilidade que não aquela de mostrar por que motivo subiu à Liga BPI.
 
Futebol Benfica - Valadares Gaia - um duelo já histórico no futebol feminino, tais os confrontos inflamados e disputados por ambas as equipas. De notar que o Valadares roubou a possibilidade do Futebol Benfica conquistar seis troféus nacionais consecutivos, ao ganhar a Supertaça em 2016. Para domingo, espera-se naturalmente um jogo muito equilibrado e bem disputado, havendo alguma curiosidade na estreia oficial de Edite Fernandes no Fofó, vinda do SC Braga. Também o Valadares recebeu uma jogadora de lá, a Guita, um regresso à equipa de Gaia. Será, certamente, um dos jogos fortes da jornada.
 
Clube de Albergaria - Estoril Praia - outro jogo que desperta alguma curiosidade. O Albergaria reforçou-se bastante, beneficiando da desistência do Ferreirense, e é um histórico do futebol feminino, sendo um dos baluartes da formação em Portugal. O Estoril, que na época passada ficou em terceiro, e que trabalha muito bem ao nível da formação, viu saírem algumas jogadoras e o treinador. De que modo é que isso vai afectar a qualidade da equipa é o que poderemos já começar a ver este fim de semana.
 
Boavista - Marítimo - com um departamento de futebol feminino todo renovado, e o regresso da Alfredina Silva para o comando técnico, o Boavista teve de enfrentar a saída de bastantes jogadoras. Para este jogo há alguma expectativa em saber de que forma Alfredina conseguiu refazer a equipa. O Marítimo, campeão da Promoção da época passada, faz a sua estreia na Liga. Reforçado com a internacional portuguesa, Suzane Pires, estará cheio de motivação para o primeiro jogo, ainda para mais contra o Boavista, o clube com mais história no futebol feminino português.
 
Vilaverdense - CA Ouriense - do Vilaverdense, mesmo com saída de jogadores importantes, como o regresso da Sara Brasil ao Braga, pode-se sempre esperar boas equipas, já que aquela zona é fértil em jogadoras de bastante qualidade. Depois do quarto lugar conquistado na época passada, neste jogo o factor casa ajuda a um certo favoritismo. O Ouriense, clube que já foi bi-campeão nacional e conquistou uma Taça de Portugal e tem no seu palmarés ser o único clube que almejou passar a fase de grupos da UWCL, regressa à Liga feminina mercê da desistência do Ferreirense. Com alguns reforços quiçá para a manutenção, é sempre um adversário a ter em conta.
 
Domingo, começa portanto uma nova Liga, que cria bastantes expectativas e em que todos os protagonistas terão um papel importante para a divulgação do futebol feminino.
Desejamos uma boa atitude competitiva e arbitragens seguras e assertivas.


quinta-feira, 21 de dezembro de 2017

Liga Allianz 2017/2018: primeira volta concluída sem surpresas

Decorreu no passado domingo a última jornada da 1ª volta da Liga Allianz e, como antecipado anteriormente, não há surpresas a assinalar. A única surpresa é talvez a diferença pontual (5 pontos) do atual 1º (Sporting CP) para o 2º classificado (SC Braga).

A edição atual da Liga Allianz vai ser outra sem grande história para contar. Ainda que 5 pontos possa parecer recuperáveis, dificilmente o Sporting CP deixará fugir a conquista de mais esta competição, pela superioridade que tem demonstrado em todos os jogos disputados, com a construção de resultados convincentes, com maior ou menor dificuldade. As opções são variadíssimas e foram pensadas para consumo externo (algo que ficou aquém das expetativas) mas internamente é, seguramente, uma (boa) dor de cabeça para a equipa técnica a gestão de um plantel com tanta qualidade.

Relativamente à época passada, no final da 1ª volta, os dois lugares cimeiros estão invertidos. O líder era então o SC Braga com mais 2 pontos que o Sporting CP. Mas se nesta discussão mais nenhuma equipa se intromete, nas restantes posições observa-se que houve grandes alterações de uma época para a outra. Não iremos analisar pelos pontos conquistados porque como se recordam, a 1ª edição da Liga Allianz teve 14 equipas.

Por exemplo, na época passada, o 3º lugar era ocupado pelo Valadares Gaia e esta época trocou de posição com o Estoril Praia, que se encontrava no 7º lugar. O Clube Albergaria é o único que se encontra na mesma classificação, a 8ª posição. O Boavista, assim como o Ferreirense deram saltos significativos da época 2016/2017 para a atual, sendo atualmente o 4º e 6º classificados, respetivamente. O Vilaverdense saltou da 6ª posição da época passada para a 5ª na presente edição. Depois, assistimos à queda acentuada de duas equipas, que o ano passado estavam nos lugares cimeiros, CF Benfica (4º) e AD Francos (5º), que nesta altura lutam pela manutenção no escalão maior do futebol feminino nacional. O CF Benfica encontra-se no 9º lugar e o AD Francos imediatamente abaixo. Para terminar, na cauda da tabela encontram-se as equipas que subiram esta época à Liga Allianz, Cadima e Quintajense.

Posto isto, afirmo sem qualquer hesitação que a ambicionada competitividade da Liga Allianz só se vai observar na discussão das posições fora do pódio. Assumo que dito desta forma possa criar polémica mas conscientemente esta é a realidade. O que não deixa de ser um reconhecimento a todos os clubes que se encontram atualmente fora do pódio pois continuam insistentemente a defender o futebol feminino nacional com todas as dificuldades com que se deparam diariamente. São dois campeonatos à parte. 

Daí que não acredito que haja alguma equipa  (excluindo o SC Braga) que se possa intrometer na caminhada do Sporting CP para a conquista imaculada desta edição da Liga Allianz. Não significa esta afirmação que não enalteça o trabalho, o querer, a motivação e a determinação das restantes equipas mas as" armas" são muito desiguais. Nem mesmo a equipa que melhor se reforçou este ano, o Estoril Praia, terá argumentos para se meter na disputa a dois. Admito com relativa facilidade que o venha a conseguir, jogadoras com qualidade não lhe faltam mas não será, seguramente, esta época.

Não me canso de repetir que o regresso do Sporting CP e do SC Braga ao futebol feminino foi fundamental para assistirmos ao aumento significativo da visibilidade mas, em oposição, veio criar uma enorme clivagem entre as restantes equipas e no interesse que a própria competição possa despertar na comunicação social (veículo indispensável para a divulgação da modalidade).

Ainda vai demorar tempo até que possamos aspirar a ter a competição mais representativa do futebol feminino nacional com níveis de competitividade elevada e incerteza do vencedor até ao fim.

Imagino os argumentos/estratégias que os responsáveis técnicos das duas equipas no topo da classificação têm que definir individualmente para manter as suas atletas motivadas e focadas na competição. Qualquer deslize poderá ter consequências inesperadas.

Ainda que não acredite, de todo, que isso possa acontecer!

sexta-feira, 10 de novembro de 2017

O melhor onze: mérito ou rotatividade

Ter um plantel homogéneo, com duas alternativas para cada posição, é o desejo de todo o treinador. Pelo menos sê-lo-á em teoria. Na prática pode revelar-se um exercício duro de gestão e liderança.
Se por um lado, ter jogadoras à altura de substituir com a mesma qualidade, facilita as escolhas do treinador em casos de lesão e/ou castigos, por outro obriga-o a decidir por que tipo de gestão e liderança ele quer optar:
a) jogarem sempre as que ele considera estarem melhores
b) fazer um sistema de rotatividade
 
Em qualquer das opções, há consequências para lidar.  
 
Na primeira, a), jogando a maioria das vezes com as jogadoras que se apresentem melhor (seja física seja tacticamente), as menos utilizadas têm tendência a desmotivarem-se.
Na segunda, b), parecendo a mais consensual e a de mais fácil gestão dos egos das jogadoras, quem é melhor não sente recompensado o seu trabalho e qualidade.
 
Quando se trata de futebol feminino, estas circunstâncias são particularmente difíceis, porque as mulheres têm dificuldade em aceitar uma coisa só porque ela é assim. Têm necessidade de uma explicação lógica para a sua aceitação.
Portanto, um treinador com um plantel ideal vê-se perante a evidência de ser preso por ter cão e por não ter.
 
Para mim, apesar de nunca sequer ter tido a ideia de ser treinadora, é mais do que evidente que optaria sempre por aquelas que fossem as melhores. Ter coragem para fazer essa opção, nem sempre é fácil quando se gere um grupo de vinte e tal jogadoras, mas é o que é mais justo para todos.
Quem faz um desporto de competição tem de estar preparada para duas situações: jogar e não jogar. Claro que é difícil para quem joga menos, mas cabe ao treinador não ter receio de se explicar e manter a motivação constante mesmo nessas jogadoras.

Na longínqua época 1992/93, na equipa feminina do Sporting havia duas guarda-redes de nível idêntico: a Carla Cristina (que viria a ser a melhor guarda-redes nacional de sempre) e a Luísa Castro. O treinador, face ao dilema de ter de escolher, optava pela rotatividade. Perante a situação de saberem antecipadamente quando jogavam, e não jogavam, independentemente do que trabalhavam nos treinos, tiveram uma conversa com o treinador e disseram que ele tinha de escolher. Tinha de assumir a sua opção e elas aceitariam e trabalhariam a partir daí. E ele assim fez. Diga-se em abono de ambas que isto só aconteceu porque, para além de serem duas grandes guarda-redes, eram duas jogadoras de excepção, com grande sentido do dever, que jamais aceitariam estar a jogar em situação de favor. Esta rivalidade não impediu que desenvolvessem uma forte amizade, o que diz bem da personalidade de ambas e da sua postura em defesa dos interesses da equipa.