quinta-feira, 8 de março de 2018

Um presente para o Dia da Mulher

A Selecção AA feminina alcançou ontem, após um triunfo de 1-2 sobre a Austrália, um inédito terceiro lugar na Algarve Cup. 
Nesta 25ª edição Portugal teve um desempenho acima de todas as expectativas, tendo ainda apresentado um futebol muitíssimo consistente e maduro. 
Quase que apetece dizer que demorámos um quarto de século (dito assim parece uma enormidade) para conseguirmos ter uma selecção adulta - na verdade, foi um pouco mais, visto que a primeira selecção surge nos anos oitenta. 
Este feito representa muito mais do que mera estatística. Para história será isso mesmo, números que ficarão gravados. Mas para quem acompanha o futebol feminino português, quem viu os jogos ou deles teve relatos, sentiu que o que aconteceu vai muito além dos resultados. 
O que aconteceu aqui foi um grito de independência da jogadora portuguesa, representada por uma selecção. Foi o dizer “estamos aqui, contem connosco” porque o futebol português tem, cada vez mais, de se conjugar no feminino! 
Porque sempre que a selecção joga, é como se milhares de jogadoras estivessem ali a pontapear a bola. Já nada poderá parar este movimento. 
Os clubes que não têm futebol feminino que se preparem para ter. Porque irão aparecer cada vez mais miúdas para jogar futebol. E tudo passa por uma questão de igualdade. Igualdade essa a que todas as mulheres têm direito e é obrigação dos clubes promovê-la. Porque a desculpa de que as mulheres não têm jeito para jogar futebol já não cola. 
Foi isto, basicamente, que a selecção feminina nos ofereceu para este Dia Internacional da Mulher: um novo estatuto para a mulher futebolista portuguesa. Aquela que sabe sofrer, que acredita, que olha nos olhos das adversárias mais fortes e as intimida. E, que por fim, consegue vencê-las! Ou seja, a emancipação dos preconceitos.
Se isto não é um belo presente para este dia, não sei qual será! 

quarta-feira, 7 de março de 2018

Algarve Cup 2018: Portugal aos olhos de outros

Por altura que vos escrevo aguardo serenamente a hora de saída da equipa que acompanho (Japão) para o estádio da Bela Vista, no Parchal. 

É, possivelmente, o período mais calmo dos últimos dias. Tudo está organizado para que nada falhe no último jogo. 

Mas não é sobre a equipa do Japão que vou escrever umas linhas. É mesmo sobre a nossa seleção nacional que me tem enchido de orgulho. E digo isso com enorme felicidade pois o feedback que tenho tido, quer da equipa técnica do Japão quer dos colaboradores da unidade hoteleira onde estamos alojados, é de que estamos, efetivamente, melhores que em anos anteriores e que nos três jogos já disputados demonstramos isso inequivocamente. Enfrentamos os jogos de igual para igual, não nos amedrontamos em momento algum e a qualidade de jogo demonstrado é enorme. Foi, talvez, de há alguns anos a esta parte que a rotação das jogadoras no onze inicial foi mais visível e, ao contrário do que podíamos esperar, a equipa manteve sempre o mesmo registo, de elevada competência e capacidade competitiva. O futuro desta geração avizinha-se de brilhante e vai, com toda a certeza, ser acompanhada pelas jogadoras mais novas que evoluem agora nas seleções jovens. Eu não tenho dúvida disso! 

O facto de ser ex atleta tem as suas vantagens na maior proximidade com os treinadores e com a troca de ideias. E é isso que tenho feito com alguma frequência com a selecionadora  nacional do Japão. Dizia-me após o jogo de segunda-feira que teria sido fantástico poder defrontar Portugal no jogo final, seria um desafio interessante para as suas jogadoras. 

E não, não é por educação ou delicadeza (coisas em que os japonesas são campeões) que o diz. A este nível todas as seleções são estudadas até ao ínfimo pormenor e Portugal jogou com dois possíveis adversários (Austrália e China) das nipónicas na próxima competição em que irão estar envolvidas, a Asian Cup (abril) que irá ditar o apuramento das equipas da região asiática  para o próximo campeonato do mundo, em 2019. Por isso, esses dois jogos foram vistos com todo o detalhe e cuidado. 

Assim, seja lá qual for o resultado do jogo Portugal, novamente contra a Austrália, a participação da nossa seleção na 25.ª edição da Algarve Cup já é um sucesso mesmo antes de saber qual é a classificação final. Será, de longe, a melhor de sempre! E com ela vai trazer mais responsabilidade para as nossas jogadoras, equipa técnica e própria estrutura federativa. 

Que o jogo de hoje, independentemente do resultado final, seja mais uma demonstração da evolução sustentado da qualidade da nossa seleção nacional AA!

quinta-feira, 1 de março de 2018

De se lhe tirar o chapéu

Portugal abriu a Algarve Cup com uma vitória inédita sobre a China por 2-1.
Este resultado terá, certamente, deixado os responsáveis chineses de olhos em bico. Não deveria estar no programa perder pontos com uma selecção que está o dobro dos lugares abaixo no ranking.
Mas, como soi dizer-se frequentemente, o futebol é um desporto fascinante por isto mesmo: a imprevisibilidade do resultado, mesmo quando tudo parece muito óbvio.
Não se pode, sequer, dizer que foi uma vitória fortuita. Apesar de alguma felicidade no segundo golo, Portugal teve outras ocasiões para marcar e ainda levou duas bolas à trave: na primeira parte pela Diana Silva (que belíssima jogadora ela se tornou) e na segunda pela Vanessa Marques. 
Aquilo que transpirou, do pequeno ecran do telemóvel em que vi o jogo, foi uma consistência e maturidade da parte da equipa portuguesa que me deixou sempre na expectativa de que iríamos dar a volta ao resultado.
E de fora ficaram dois monstros sagrados, que só não jogam se não puderem, mesmo que seja em lugares que não são habitualmente os seus: Dolores e Ana Borges.
Ou seja, a selecção portuguesa deu ontem uma imagem de quem respira saúde e alternativas.
Muito se falou de que, com o regresso de grande parte das internacionais para jogarem a Liga Allianz, o nível competitivo da selecção se ressentiria. Ontem, por exemplo, só jogaram de início duas jogadoras emigrantes: Mónica Mendes e Cláudia Neto. 
Até agora isso não tem sido muito notório. Talvez porque as jogadoras tenham regressado para dois clubes onde trabalham diariamente ao mais alto nível.
A liga portuguesa não é de facto amiga da alta competitividade; pelo menos, não aquela que é necessária para que a nossa selecção tenha o ritmo elevado, para almejar estar novamente numa fase final de uma competição. Tem de haver, seguramente, um empenho maior da parte das internacionais nos jogos em que, sabendo de antemão que vão ganhar, ainda assim não retirarem intensidade à sua prestação.
Talvez ajude o facto de saberem que estão a viver o sonho da profissionalização no seu país e, para muitas, no seu clube do coração. Uma oportunidade que não se pode desperdiçar e que, até agora, do que é dado observar de fora, todas têm levado muito a sério. 
Claro que nem tudo serão rosas, como sabe quem já por lá andou, mas o segredo está em vender o sonho da equipa unida e feliz.
Para nós, espectadores externos, o que interessa é o resultado posto em campo no dia do jogo.
Porque é só disso que se trata o futebol: um jogo fantástico de noventa minutos, em que uma equipa Portuguesa de vermelho deixa uma China amarela!

segunda-feira, 5 de fevereiro de 2018

Sporting CP - SC Braga - o grande espetáculo que podia ter sido e não foi

Ontem fui a Alvalade ver o jogo.

Claro que a expetativa era uma e a realidade, infelizmente, foi outra. De tática e estratégia futebolística percebo pouco mas consigo destinguir um bom espetáculo de futebol (independente do género, o futebol é universal) de um que fica muito longe disso. O jogo de ontem, em Alvalade, na minha humilde perspetiva insere-se na segunda categoria.

Os ingredientes estavam lá (quase) todos: jogo entre as duas melhores equipas a atuar em Portugal, recheadas das mais evoluídas jogadoras portuguesas, disputado num grande palco e transmissão televisiva. 

Faltou só um que esteve presente na época passada: o Sporting CP precisava de ganhar para ultrapassar o SC Braga na tabela classificativa. Este ano, o cenário era inverso mas mesmo a vitória do SC Braga não provocaria alterações na classificação pelo que era expectável um jogo morno, a não ser que o SC Braga tivesse arriscado do inicio ao fim. Não começou mal (aos 2 minutos a Edite podia ter dado o mote na emoção que faltava a este jogo) mas ficou-se por aí (a Inês Pereira não fez uma defesa digna desse nome. O mesmo já não se pode dizer da Rute Costa, que fechou e bem a baliza do SC Braga evitando males maiores).

Talvez a falta deste ingrediente e o facto do Sporting CP jogar algumas horas depois na Amoreira, como líder da Liga NOS, tenha afastado o público de Alvalade. Ainda assim, os mais de 4500 espetadores mereciam melhor espetáculo. É verdade que não se pagou bilhete porque senão seria caso para dizer: devolvam o dinheiro.

Fui lendo aqui e acolá que foi um bom jogo de futebol, excelente para a promoção do futebol feminino nacional... lamento, discordo em absoluto. E não, não sou pessimista nem do contra. Sou é exigente por conhecer bem a realidade do futebol feminino nacional e o potencial de ambas as equipas. 

Lamento, quer o Sporting CP quer o SC Braga deviam ter feito muito mais no jogo de ontem, nada estava em jogo (iluda-se quem pense que o SC Braga ganhando - fez pouco, muito pouco - ia fazer mossa para os lados de Alvalade ou "incendiar" a Liga. Acabou foi por sair "chamuscado"). 

O Sporting CP tinha obrigação de puxar dos galões e mostrar inequivocamente que está em primeiro lugar na tabela classificativa por mérito e direito próprio. Limitou-se a esperar e jogar o suficiente para manter a concorrência à distância. O que é, manifestamente, pouco, mas e daí talvez fosse o possível dado que há jogadoras claramente fora de forma, com cansaço acumulado (levam mais jogos nas pernas que as adversárias de ontem) e algumas até se percebeu que a jogar com evidentes limitações físicas (por exemplo, a Ana Borges).

A "culpa" de considerar que o jogo de ontem foi um jogo sem grande interesse é de ambas as equipas pois já nos presentearam com espetáculos emotivos do principio ao fim. Nem sempre bem jogados é certo mas com incerteza no resultado, frenesim constante (Final da Taça de Portugal, no Jamor, época passada? Esta época, em Coimbra, Final da Supertaça?). São competições diferentes mas racionalmente qual é a diferença? O SC Braga só tinha a ganhar se tivesse sido mais ambicioso. O Sporting CP teria que fazer pela vida.

Ambas as equipas mais não fizeram que anular-se uma à outra, tornando o jogo monótono e enfadonho por largos períodos. Num jogo entre as melhores equipas fazem-se apenas 5 remates dignos desse nome, repartidos pelas duas?!?

O futebol feminino nacional para crescer e consolidar a sua posição no panorama desportivo nacional precisa de jogos dinâmicos, emocionantes e disputadas até ao fim.

Iguais aos de ontem, seguramente, não farão regressar mais de 12000 espetadores a um estádio e, desta forma, ter todo um espetáculo dentro de outro.

sexta-feira, 26 de janeiro de 2018

Março - o mês do futebol feminino

Pode-se dizer que março (este ano final de fevereiro) é o mês, ano após ano, em que mais seleções femininas entram em competição, nos três torneios mais relevantes e reconhecidos como de grande importância na promoção e divulgação do futebol feminino (28 seleções no total).

O mais antigo de todos é a "nossa" Algarve Cup, cujo pontapé de saída ocorreu em 1994, numa organização conjunta da FPF com as federações nórdicas da Suécia, Noruega e Dinamarca. Escolheram o Algarve como destino, pelas suas potencialidades de alojamento e infraestruturas desportivas mas (atrevo-me a dizer), especialmente pelas condições atmosféricas favoráveis que é costume encontrar-se a sul do pais por essa altura do ano permitindo aos  nórdicos fugirem do frio que se faz sentir nos seus países. Num formato inicial de 6 equipas, passando para 8 (fórmula que foi repetida em 2016 quando neste período se realizaram os torneios de qualificação - zonas asiática e europeia - para os Jogos Olímpicos desse ano, no Brasil) e, finalmente, para as 12 seleções que se verifica atualmente.

Em 2008, aproveitando o facto de não ser possível dar resposta a todas as solicitações para a participação na Algarve Cup (que já tinha 14 anos de experiência, sempre em crescendo), surge a Women´s Cyprus Cup, disputada no mesmo período que o "nosso" torneio. Curiosamente, a seleção do Chipre nunca participou neste torneio.

Finalmente, em 2016, após a conquista do campeonato do mundo de 2015, os Estados Unidos da América divulgam a "She Belives Cup", que é uma extensão da campanha com o mesmo nome, concebida e desenvolvida pelas atletas da seleção feminina dos EUA, que se traduz num movimento para inspirar e encorajar as raparigas e mulheres na prossecução dos seus objetivos e sonhos, sejam eles desportivos ou de outro âmbito.

Uma coisa é certa, bons espetáculos estão garantidos em todos os torneios, uma vez que das 30 seleções melhor classificadas, somente 9 não estarão presentes nestes torneios. 

Vamos por partes.

Algarve Cup 2018:
O grande nome que surge, depois da nossa seleção (Portugal sempre), é a presença das duas seleções finalistas do EURO2017, Holanda (campeã) e Dinamarca (finalista vencida), numa final memorável com muitos golos e futebol de ataque (afinal não é disto que o povo gosta?). O ranking das seleções presentes neste torneio começa na Austrália (4), Canadá (5), Holanda (7), Japão (9), Suécia (10), Dinamarca (12), Coreia do Sul e Noruega (14), China (16), Islândia (20), Rússia (25) e termina com Portugal (38).

A Algarve Cup tem sido, ano após ano, o torneio de excelência na preparação da seleção nacional para os desafios futuros. Este ano não será exceção tendo em vista a recuperação para a qualificação do Campeonato do Mundo de 2019, em França. 

Foi, também, durante as edições iniciais o torneio que possibilitou às atletas de então defrontar seleções com um nível competitivo bem superior e permitir que estas crescessem. A competição internacional não tinha a dimensão atual e os momentos competitivos eram escassos para potenciar uma seleção que tinha estado em banho maria durante 10 anos. Se alguém tiver curiosidade, basta consultar o sítio da FPF e ver os resultados alcançados após a participação na Algarve Cup. Fica o desafio.

Os jogos da seleção nacional desta edição vão ser jogos contra seleções que habitualmente não ocorreriam se não fosse neste torneio, em especial contra a Austrália e China. A Noruega já é um velho conhecido e parceiro desta aventura no Algarve desde a primeira edição. Esperam-se bons espetáculos e que a nossa seleção ganhe sempre. Mas se isso não for possível, que permita e possibilite preparar e afinar estratégias para a qualificação que decorre. 

Women´s Cyprus Cup 2018
Este ano, a federação organizadora será a República Checa. O aparecimento desta competição permitiu que mais seleções estivessem em competição e serve, a exemplo da Algarve Cup, de preparação intensiva das seleções para as competições futuras. Os moldes da competição são iguais aos do "nosso" torneio e as seleções deste ano começam na Espanha (13, vencedora da edição passada da Algarve Cup, na sua primeira participação), Suíça e Itália (17), Áustria (21), Bélgica (22), Finlândia (28), República Checa (34), País de Gales (35), Hungria (43), Eslováquia (47), Trinidad e Tobago (48) e encerram-se com a África do Sul (54). 

Algumas das seleções que participaram inicialmente neste torneio "saltaram" para a Algarve Cup, casos da Holanda e do Canadá.

She Belives Cup 2018
Desde 2016,primeira edição desta competição que se realiza nos Estados Unidos da América, que as equipas que o disputam são sempre as mesmas: EUA (1), Alemanha (2), Inglaterra (3) e França (6), ou seja, as primeiras três do ranking FIFA. Excluindo a Inglaterra (participante assíduo da Women's Cyprus Cup), as selções dos EUA e da Alemanha "fugiram" da Algarve Cup, tendo qualquer uma destas seleções vencido várias edições, com os EUA à cabeça (10 triunfos). A Alemanha conquistou o troféu por 3 ocasiões.

Excluindo o quadrangular que se disputa no outro lado do Atlântico, podemos afirmar sem qualquer hesitação, se olharmos apenas para o ranking das seleções, que os jogos da Algarve Cup terão muitos mais motivos de interesse por parte dos adeptos do futebol feminino. No Chipre estarão duas seleções que disputam o apuramento para o Mundial com Portugal, Itália e Bélgica e contra quais Portugal terá que inverter os resultados alcançados para poder aspirar à qualificação.

Estes torneios, especialmente os que se disputam em solo europeu, despertam, ainda, a curiosidade de muitos agentes e representantes de jogadoras bem como movem observadores dos quatro cantos do mundo.

Que seja um período de excelência de preparação para a nossa seleção rumo aos objetivos futuros.

Se puderem, não deixem de se deslocar até ao Algarve e ver em ação algumas das melhores jogadoras e seleções mundiais. 

sexta-feira, 19 de janeiro de 2018

Sport Lisboa e Benfica - o projeto em execução

Depois do anúncio que o SL Benfica iria mesmo aventurar-se no futebol feminino, conforme tinha prometido, começam agora a surgir as primeiras noticias (uma confirmada e outras a aguardar seguramente melhor data).

Ora o primeiro anúncio oficial surgiu dia 16/01/2018, pouco mais de um mês do chamado pontapé de saída do futebol feminino no SL Benfica, com a contratação da guarda-redes Dani Neuhaus. A 17/01/2018, surge a noticia de que teriam também contratada  a avançada Darlene Reguera, mas ainda sem confirmação oficial (ou eu não encontrei). No entanto, podemos agradecer desde já a esta atleta a informação que partilhou com todos os adeptos do futebol feminino nacional nesta entrevista ao divulgar alguns detalhes do projeto que está a ser preparado. Nesse mesmo dia desfaz-se o mistério de quem será o futuro treinador da equipa em formação mas, a acreditar na notícia, só será apresentado em fevereiro (quem sabe no dia 4 de fevereiro... a ocorrer nesse dia será cirurgicamente pensada). Não seria suposto apresentar o treinador em primeiro lugar e depois começar a divulgar as atletas entretanto contratadas? Teria mais lógica pois será pouco plausível que o SL Benfica proceda à contratação de atletas sem o aval do futuro treinador. Uma coisa percebe-se de imediato: não estão para brincadeiras.

Nenhuma equipa atualmente está a salvo de ter atletas a serem contactadas para representar o SL Benfica, incluindo o SC Braga e o Sporting CP, sendo que nestes a dificuldade será seguramente acrescida. O que se antecipa é que todas as atletas (profissionais e não profissionais) a atuar em Portugal podem procurar negociar e melhorar as suas condições contratuais uma vez que há um outro clube com possibilidade de oferecer mais e melhores condições. Talvez o anúncio de atletas a jogar em Portugal só seja realidade após 30 de junho do corrente ano, o que a ocorrer revelará respeito pelas restantes equipas nacionais. Seja como for, a fazer fé no que diz a notícia, o facto de já existirem contactos com atletas não vai ajudar a que o resto da época se desenrole com a necessária concentração para que os objectivos traçados sejam alcançados. Uma coisa é certa, todo e qualquer anúncio oficial por parte do SL Benfica irá ter repercussões (mesmo que inconscientemente) na prestação de todas as equipas até ao final da época em curso (alguém acredita que não existem contactos e que o SL Benfica - ou a quem transferiu a responsabilidade da criação da equipa - vai aguarda pelo final da época para abordar as atletas que lhe interessem? Eu não acredito). 

Também as atletas portuguesas que evoluem em equipas estrangeiras poderão negociar o seu regresso com outras vantagens. E falo destas porque podem ser possíveis contratações do SL Benfica, especialmente as que são internacionais, com provas dadas e enorme experiência competitiva (por exemplo, a Carolina Mendes, a Mónica Mendes, a Jéssica Silva ou a Raquel Infante. Não refiro propositadamente a Cláudia Neto dado que dificilmente conseguirá melhores condições do que as que dispõe atualmente ao serviço do Wolfsburg. É outro patamar). Qual é a equipa que não gostaria de ter algumas das melhores atletas portuguesas nas suas fileiras? O SL Benfica não será, certamente, exceção. Prevê-se que vá ser um defeso animado no que diz respeito ao futebol feminino.

Mas, a ver pelo exemplo da atleta confirmada e da outra possibilidade, o SL Benfica vai apostar numa equipa forte para entrar no Campeonato de Promoção (será apenas o cumprir da formalidade de iniciar na competição devida) pois acredito verdadeiramente que o objetivo imediato é poder competir na Taça de Portugal e defrontar, já na próxima época, o seu eterno rival, o Sporting CP. E se for na final, então teremos logo no inicio da época seguinte a Supertaça (isto considerando que o Sporting CP conquista a Liga Allianz de 2018/2019 e o SL Benfica alcança - e conquista ou perde contra o Sporting CP - a final da prova rainha na mesma época)... os primeiros confrontos serão antecipados ainda antes do SL Benfica alcançar a Liga Allianz e prometem muita emoção.

Só ainda não consegui foi encontrar qualquer informação sobre esta afirmação "será mantida a ligação às escolinhas e à formação, onde já existe no Clube a presença de jovens jogadoras, que no passado não tiveram uma solução de continuidade e que agora poderão apontar para um percurso que vise a alta competição"

Aguardemos por futuras movimentações (que serão estrategicamente anunciadas) mas que promete... promete!

quarta-feira, 27 de dezembro de 2017

Em que medida a menor competitividade interna poderá levar a perda de competitividade externa, tanto a nível de clubes como de selecção?

O título do texto de hoje é resultado de um comentário que foi colocado na nossa página do facebook. A questão é, sem dúvida, pertinente. Na altura, a resposta dada foi muito objetiva, "no limite, a falta de competitividade interna poderá condicionar, no futuro, o desempenho dos clubes nas competições europeias (UWCL) e das seleções nas fases de qualificação para as grandes competições". Esta afirmação pode, efetivamente, tornar-se uma realidade, mas só mesmo no limite e se ocorrer alguma catástrofe com o futebol feminino nacional. Pelo menos no que às seleções diz respeito. Aos clubes a realidade pode ser outra.
 
Vamos por partes começando pelas competições externas de clubes. Atualmente, para equipas femininas apenas se disputa a UEFA Women's Champions League (UWCL). Portugal esteve representado desde a primeira edições (ainda designada de Taça UEFA), no longínquo ano de 2001/2002, pelo Gatões FC. De todas as participações, em apenas uma das ocasiões se logrou passar à fase a eliminar, através do Ouriense, na época 2014/2015. 

Na época passada, o representante nacional foi o Sporting CP e, no seu ano de estreia, também não conseguiu passar à fase a eliminar. Esteve a um ponto de o conseguir mas a derrota no primeiro jogo contra a equipa BIIK-Kazygurt, do Cazaquistão não permitiu uma estreia em pleno. O Sporting sofreu o golo da derrota de uma jogada de bola parada (aliás, como sofreria outro semelhante na final da Supertaça desta época, contra o SC Braga). 

Podemos tirar várias conclusões mas a mais imediata é que nos jogos internos, excluindo os jogos com o SC Braga, o Sporting CP (o mesmo se aplica ao SC Braga) não é colocado a este tipo de exigências. As equipas poucas situações de perigo conseguem criar em jogo corrido e mais dificilmente têm jogadas de bola parada. De forma que, o que se treina (e acredito que é ensaiado vezes sem conta) não é o mesmo que encontramos em situação de jogo real. Mesmo imaginando que qualquer destas equipas pode ter acesso facilitado a jogos treino com os escalões de formação (masculina) do clube.

A falta de competitividade da atual Liga Allianz não permite ao Sporting CP nem ao SC Braga terem situações de exigência elevada para solucionar em contexto de jogo, exceto quando jogam entre si. E nestes casos, o que falhar menos e estiver mais inspirado, será o vencedor. 

A nível de seleções, realisticamente, a seleção AA feminina começou a ter um incremento na sua capacidade competitiva e a ter resultados desportivos consistentes quando as jogadoras procuraram outros países para continuarem as suas carreiras desportivas (com maior expressão a partir da época 2010/2011). As exigências competitivas de qualquer outra liga (espanhola, francesa, alemã ou  inglesa) não são comparáveis com a nossa Liga pelo que as jogadoras foram "obrigadas" a melhorar as suas capacidades físicas, técnico-táticas  e com isto efetuaram um upgrade na qualidade e capacidade nos jogos das seleções. Adicionalmente, a própria FPF, a partir da entrada da Direção atual, presidida pelo Dr. Fernando Gomes, melhorou consideravelmente as condições para o crescimento das seleções sendo exemplo disso o maior número de estágios e jogos particulares por época, não só na seleção AA mas também nas seleções jovens. É do conjunto destas duas situações que se começa a observar a evolução sustentada da seleção AA que culminou no histórico apuramento para o EURO2017.

Não sei se têm ideia mas das 25 convocadas inicialmente para essa competição, apenas 3 não representaram as seleções jovens nacionais (Amanda da Costa, Ana Leite e Suzane Pires – todas luso descentes). Além desta participação, as seleções femininas dos escalões de formação já tinham alcançado fases finais. No EURO 2012, no escalão sub 19 participaram 8 atletas (Mónica Mendes, Matilde Fidalgo, Vanessa Marques, Tatiana Pinto, Fátima Pinto, Andreia Norton, Diana Silva e Jéssica Silva). No EURO 2013, escalão sub 17, esteve presente a Diana Gomes. A espinha dorsal que constitui a atual seleção nacional de futebol feminino AA de Portugal começou a construir-se no longínquo ano de 2003 quando as atuais internacionais começaram a integrar a seleção sub 19, por onde todas passaram (excluindo as 3 referidas anteriormente). Dez anos mais tarde (2013), começa a atividade da seleção sub 17 e sub 16. Já no corrente mês deu-se o pontapé de saída da seleção sub 15.

Das atletas que integravam a convocatória inicial somente 5 prosseguem a sua carreira além fronteiras e continuam a ser "expostas" a campeonatos competitivos e de exigência elevada: Cláudia Neto (Alemanha), Carolina Mendes e Mónica Mendes (Itália), Raquel Infante (França) e Jéssica Silva (Espanha). Outras regressaram a Portugal, invariavelmente para o Sporting CP (Tatiana Pinto, Fátima Pinto, Ana Borges, Patrícia Morais, Carole Costa e Ana Leite) ou para o SC Braga (Dolores Silva, Laura Luís e Andreia Norton).

O futuro da nossa seleção AA está assegurado. O número de jogadoras cresce ano após ano, cada vez mais equipas apostam na formação desde escalões mais baixos permitindo aumentar a margem de recrutamento das jogadoras com mais qualidade e capacidade para as seleções mais jovens. Mas a questão da pouca competitividade da Liga Allianz também se coloca nas competições de sub 17 e sub 19. Será, então, que está assegurado o nível da competitividade que agora observamos e que tão bons resultados têm alcançado? Teremos que aguardar para obter a resposta a esta questão.

Uma coisa é certa, os grandes clubes não vão conseguir absorver todas as jogadoras de qualidade que estão a aparecer pelo que se poderá antecipar uma melhoria da competitividade na Liga Allianz, com a incursão de algumas destas jogadoras em outras equipas que evoluem na referida competição. 

Mas isto faz-me lembrar uma pescadinha de rabo na boca. As jogadoras vão começar (e bem) a exigir mais e melhores condições. As equipas, excluindo o Sporting CP e o SC Braga, podem não dispor da capacidade para proporcionar essas condições... que vão fazer? Deixam de jogar? Provavelmente irão tentar a sua sorte além fronteiras e voltaremos ao início... continuará a Liga a ser decidida a dois. Ou a três, à distância de 2 épocas, com o anúncio da entrada do SL Benfica já na próxima época no Campeonato de Promoção. Creio que uma das próxima estratégia para aumentar o sucesso e competitividade da Liga Allianz terá que passar, forçosamente, por dotar os clubes com mais e melhores condições de forma a que possam acomodar os pedidos das jogadoras e, desta forma, evitar a sua ida para o estrangeiro. É fácil de concretizar? Naturalmente que não, senão já estaria em prática! Mas, não se pode esperar que seja a FPF a resolver todos os problemas. Cabe aos clubes também apresentarem propostas e sugestões em sede própria.

Um exercício rápido para finalizar: quando começou a seleção AA masculina a conseguir obter resultados de elevado nível e classificações honrosas que terminou, para já, com a conquista do EURO2016? (nota: do EURO1996, apenas falhou a qualificação para o Mundial 1998, disputado em França. De então para cá marcou presença em todas as fases finais de Campeonatos da Europa e do Mundo). 

Perceberam onde quero chegar? Isso mesmo, quando os nossos melhores jogadores (a geração de ouro e as que lhes seguiram) começaram a ser contratados para clubes que disputam campeonatos bem mais competitivos que a Liga NOS, com outras exigências e múltiplas competições.

Que o futebol feminino nacional possa continuar a sua curva ascendente.
Continuação de Boas Festas!

quinta-feira, 21 de dezembro de 2017

Liga Allianz 2017/2018: primeira volta concluída sem surpresas

Decorreu no passado domingo a última jornada da 1ª volta da Liga Allianz e, como antecipado anteriormente, não há surpresas a assinalar. A única surpresa é talvez a diferença pontual (5 pontos) do atual 1º (Sporting CP) para o 2º classificado (SC Braga).

A edição atual da Liga Allianz vai ser outra sem grande história para contar. Ainda que 5 pontos possa parecer recuperáveis, dificilmente o Sporting CP deixará fugir a conquista de mais esta competição, pela superioridade que tem demonstrado em todos os jogos disputados, com a construção de resultados convincentes, com maior ou menor dificuldade. As opções são variadíssimas e foram pensadas para consumo externo (algo que ficou aquém das expetativas) mas internamente é, seguramente, uma (boa) dor de cabeça para a equipa técnica a gestão de um plantel com tanta qualidade.

Relativamente à época passada, no final da 1ª volta, os dois lugares cimeiros estão invertidos. O líder era então o SC Braga com mais 2 pontos que o Sporting CP. Mas se nesta discussão mais nenhuma equipa se intromete, nas restantes posições observa-se que houve grandes alterações de uma época para a outra. Não iremos analisar pelos pontos conquistados porque como se recordam, a 1ª edição da Liga Allianz teve 14 equipas.

Por exemplo, na época passada, o 3º lugar era ocupado pelo Valadares Gaia e esta época trocou de posição com o Estoril Praia, que se encontrava no 7º lugar. O Clube Albergaria é o único que se encontra na mesma classificação, a 8ª posição. O Boavista, assim como o Ferreirense deram saltos significativos da época 2016/2017 para a atual, sendo atualmente o 4º e 6º classificados, respetivamente. O Vilaverdense saltou da 6ª posição da época passada para a 5ª na presente edição. Depois, assistimos à queda acentuada de duas equipas, que o ano passado estavam nos lugares cimeiros, CF Benfica (4º) e AD Francos (5º), que nesta altura lutam pela manutenção no escalão maior do futebol feminino nacional. O CF Benfica encontra-se no 9º lugar e o AD Francos imediatamente abaixo. Para terminar, na cauda da tabela encontram-se as equipas que subiram esta época à Liga Allianz, Cadima e Quintajense.

Posto isto, afirmo sem qualquer hesitação que a ambicionada competitividade da Liga Allianz só se vai observar na discussão das posições fora do pódio. Assumo que dito desta forma possa criar polémica mas conscientemente esta é a realidade. O que não deixa de ser um reconhecimento a todos os clubes que se encontram atualmente fora do pódio pois continuam insistentemente a defender o futebol feminino nacional com todas as dificuldades com que se deparam diariamente. São dois campeonatos à parte. 

Daí que não acredito que haja alguma equipa  (excluindo o SC Braga) que se possa intrometer na caminhada do Sporting CP para a conquista imaculada desta edição da Liga Allianz. Não significa esta afirmação que não enalteça o trabalho, o querer, a motivação e a determinação das restantes equipas mas as" armas" são muito desiguais. Nem mesmo a equipa que melhor se reforçou este ano, o Estoril Praia, terá argumentos para se meter na disputa a dois. Admito com relativa facilidade que o venha a conseguir, jogadoras com qualidade não lhe faltam mas não será, seguramente, esta época.

Não me canso de repetir que o regresso do Sporting CP e do SC Braga ao futebol feminino foi fundamental para assistirmos ao aumento significativo da visibilidade mas, em oposição, veio criar uma enorme clivagem entre as restantes equipas e no interesse que a própria competição possa despertar na comunicação social (veículo indispensável para a divulgação da modalidade).

Ainda vai demorar tempo até que possamos aspirar a ter a competição mais representativa do futebol feminino nacional com níveis de competitividade elevada e incerteza do vencedor até ao fim.

Imagino os argumentos/estratégias que os responsáveis técnicos das duas equipas no topo da classificação têm que definir individualmente para manter as suas atletas motivadas e focadas na competição. Qualquer deslize poderá ter consequências inesperadas.

Ainda que não acredite, de todo, que isso possa acontecer!

terça-feira, 19 de dezembro de 2017

Sensibilidade e bom senso

Neste árduo caminho de desenvolvimento do futebol feminino em Portugal, nem todas as coisas precisam de grande investimento para serem postas em prática. Uma das mais importantes, porque dá rosto ao que se faz, é a divulgação nas redes sociais das actividades das equipas.

Nesse aspecto já grande parte das equipas, de todos os escalões e competições, têm procurado corresponder ao que à era da comunicação se exige: se não se vê, não existe.
 
Claro que este trabalho de documentação fotográfica e arquivo online é feito, em mais de 90% dos casos, por pessoas que directa ou indirectamente estão ligadas às equipas e por alguns fotógrafos amadores que têm páginas próprias e aí publicam o seu trabalho.
 
Dizem os regulamentos que só quem tem colete do CNID pode estar dentro do recinto de jogo para fotografar. Logo, à partida a maioria das pessoas que fotografa os jogos está limitada à vista das bancadas ou, em melhor opção se a houver, junto ao varão que rodeia os campos. O que não permite um trabalho de grande qualidade.

Felizmente, as árbitras vão estando sensibilizadas para a importância da divulgação das imagens do jogo e vão permitindo, a quem solicita, a permanência dentro do campo, na zona restrita para os fotógrafos. De salientar que, quem vai fazer este trabalho, tem de estar consciente que tem de ter um comportamento correcto e adequado à circunstância.
 
A própria FPF, ciente da importância da divulgação e numa atitude de sensibilidade e bom senso, tem credenciado alguns fotógrafos amadores nas finais da Taça de Portugal e na Supertaça e ainda em alguns jogos das Selecções Nacionais.
 
Ora, se tudo está dentro dos parâmetros mínimos, qual a razão deste post?
 
É que, teimosamente, há uma árbitra que continua  a ser mais papista do que o papa, fazendo valer os regulamentos. Imagino que seja para se proteger. Mas quando todas as suas colegas o fazem, sem que ao que parece mal nenhuma tenha vindo ao mundo, um pouco de bom senso talvez ajudasse. Porque na verdade, todos precisamos uns dos outros. Certamente, a sua carreira não seria a mesma se não fosse o futebol feminino.
 
Talvez haja necessidade de se criar aqui uma figura legal, entre a FPF e as pessoas que querem desenvolver este tipo de trabalho, de forma a que toda a gente esteja devidamente identificada e não haja necessidade de contar com a boa vontade de quem dirige o jogo. Boa vontade essa que, volto a referir, na maioria dos casos existe.