sábado, 27 de abril de 2019

Liga BPI - Braga com teste difícil



Após um fim de semana de intervalo, para as segundas mãos das meias finais da Taça de Portugal, regressa a Liga BPI.
Estamos a três jornadas do fim e ainda está em aberto o vencedor da prova e os que irão descer à 2ª Divisão.
Aguarda-se com algum interesse a reacção à eliminação do Braga da Taça de Portugal, em casa com uma copiosa derrota frente ao novíssimo Benfica.

Valadares Gaia vs SC Braga - o Valadares está cheio de motivação pelo apuramento para a final da Taça de Portugal. Pode ser um factor preponderante para o jogo de hoje, já que tem tido resultados muito inconsistentes. Um Braga ferido, talvez não seja o melhor adversário. A equipa minhota tem de pontuar para continuar com alguma margem em relação ao Sporting, que irá receber na próxima jornada. Depois do desnorte do jogo da Taça, em que o Braga nunca se encontrou durante os 90', terá de haver uma grande reacção, mas é disso que as grandes equipas são feitas. Espera-se um grande jogo, que será transmitido pelos canais do Valadares. Hoje às 16 horas.

Boavista vs Ovarense - o Boavista recusa a deitar a toalha ao chão, apesar de estar na última posição quase desde sempre. A vitória em A-dos-Francos veio dar um novo alento. E matematicamente ainda é possível a manutenção se ganhar os jogos todos e a Ovarense perder os seus e o Vilaverdense também. Tarefa difícil, mas não impossível. A Ovarense não pode descuidar-se, porque apesar da sua voluntariedade e abnegação, ainda não estão em zona confortável. Será um jogo de bastante luta.

Clube de Albergaria vs A-dos-Francos - duas equipas com a manutenção garantida, irão jogar praticamente para cumprir calendário. Veremos como a equipa da reacção reage à eliminação da Taça de Portugal, sendo que pode lutar para ficar em quarto lugar. O A-dos-Francos, depois da derrota em casa com o Boavista, irá querer dar outra imagem e consolidar a posição.

CS Marítimo vs Estoril Praia - um campeonato brilhante para esta equipa estreante da Liga BPI, onde se encontra no sexto lugar, mas com possibilidades de subir até ao quarto. Vai receber um Estoril que marca muitos golos e se encontra confortável no quarto lugar, sem hipótese de ascender ao terceiro. Será um jogo aberto, com as equipas a fazerem o seu melhor e com bastantes golos, certamente.

Sporting CP vs Vilaverdense - um jogo de dificuldade menor para o Sporting, mas para levar muito a sério e ganhar incontestavelmente. Na próxima jornada vai a Braga e todos os índices deverão estar no máximo: físicos, motivacionais, técnicos e tácticos. Para o Vilaverdense, em lugar de desproporção, este não é o jogo ideal para recuperar. Terá de esperar que os seus adversários directos não se destaquem, para manter viva a chama.

CA Ouriense vs C Futebol Benfica - velhos rivais, o Ouriense e o Fofó nem a feijões querem perder estes jogos. O Ouriense tem intercalado o bom e o mau, mas este jogo tem uma motivação especial e as suas jogadoras quererão brilhar frente ao seu público. Ir ao Campo da Caridade nunca é fácil. O Futebol Benfica tem feito um campeonato de grande resistência e bastante qualidade, aqui e ali escondidas em alguns jogos menos conseguidos - como o da Taça de Portugal frente ao Valadares e na derrota em casa com o Albergaria. Conquistou com todo o mérito o terceiro lugar a três jornadas do fim, tendo agora que gerir essa vantagem para abrilhantar o trajecto desta época. Em Ourém terá a vida dificultada e um bom teste à sua real valia. 

segunda-feira, 22 de abril de 2019

O futuro do futebol feminino nacional está garantido!

(Foto: Maria João Xavier)


A frase que serve de título a este texto não é da minha autoria mas sim da Ana Borges, sendo que concordo e subescrevo em absoluto.

No passado fim-de-semana, o de Páscoa, regressei às origens e estive presente com muito gosto e orgulho no II Torneio Internacional Almeirim Women’s Cup, no papel de Madrinha, a convite do UFC Almeirim e onde observei um sem número de jogos. Admito que os que me despertaram mais interesse foram os dos escalões de formação (infantis e juvenis) ainda que tenha observado quase a totalidade dos jogos no escalão sénior.

E porque foram os jogos dos escalões mais jovens que despertaram mais interesse? Exatamente porque dá a resposta à pergunta de partida deste texto. É uma delícia observar miúdas de idades tão jovens a começar a praticar o seu desporto de eleição. Qualidade e talento não faltam, os jogos foram emotivos e nestas coisas, ainda que num torneio a “feijões”, ninguém quer perder. É tão agradável perceber que desde cedo começam a ter noção do jogo, ainda que com toda a liberdade para criar, mas que se posicionam no terreno de jogo de acordo com o que os treinadores indicam. É toda uma nova realidade em desenvolvimento.

As “claques” organizadas das equipas, vulgo os pais e familiares das jovens jogadoras, são incansáveis no apoio que dão antes, durante e após os jogos. Os cânticos, as cores dos clubes que defendem bem presentes na indumentária de cada um é uma festa dentro da grande festa das miúdas: jogar futebol. Foi uma alegria constante o que se viveu em Almeirim nos dois dias de torneio.

Mas a grande alegria, para miúdas e graúdos, estava reservada para a tarde de sexta-feira, quando a Ana Borges marcou presença em Almeirim. Foi uma enorme surpresa (inclusive para a organização) e as horas que esteve no complexo desportivo colocaram em delírio as cerca de 320 jogadoras que evoluíram no torneio. Rivalidades clubísticas à parte, a Ana Borges (assim como todas as jogadoras portuguesas mais representativas) personifica a imagem que todos os sonhos podem ser realizados e as solicitações para um autografo e/ou uma fotografia vieram de todos os clubes nacionais presentes. E este é um papel que as mesmas jogadoras mais representativas podem facilmente desempenhar sempre que livres dos seus compromissos profissionais.

Afinal, todas as jogadoras portuguesas, especialmente as profissionais que representam os clubes grandes (SL Benfica, SC Braga e Sporting CP) são as referências e os modelos a seguir. O papel que estas desempenham no imaginário das jogadoras mais jovens até pode ser por elas desconhecido mas, felizmente, as jogadoras que agora começam a dar os primeiros pontapés na bola têm como referência jogadoras portuguesas. E as mais jovens, tendencialmente, vão “copiar” os seus ídolos. E são estas, ainda, que os pais das jogadoras mais jovens vão observar e avaliar (não se iluda quem pense que os pais não fazem isto, é uma reação natural) como um bom (ou não) exemplo para a sua filha.

Naturalmente que o aumento de visibilidade do futebol feminino nacional, especialmente através da transmissão dos jogos das seleções nacionais e de alguns jogos entre clubes (caso das meias finais da Taça de Portugal) potencia e transporta as jogadoras para um plano de destaque, até há relativamente pouco tempo, inimaginável.

A minha questão, com que finalizo este texto, é quantas das nossas jogadoras nacionais estão disponíveis para seguir o exemplo da Ana Borges e aparecerem quando menos se espera e sem que lhes seja pedido?

Não sei, mas quero acreditar que muitas…

Afinal, são as jogadoras a face (mais) visível do futebol feminino português.

sexta-feira, 12 de abril de 2019

Liga BPI - o regresso quase um mês depois




Após quase um mês de paragem, por causa da Taça de Portugal e trabalhos da selecção nacional sub/19 e A, aguarda-se com alguma expectativa o regresso da Liga BPI.
Como se irão apresentar as equipas, após este interregno? Mais descansadas? Menos competitivas? Com jogadoras recuperadas? O resultado só saberemos no final da jornada, mas entretanto vejamos que confrontos temos:

Braga vs Clube Albergaria - o Braga desde a jornada 15 que está com maior pressão de ganhar, sob pena de receber o Sporting, daqui a dois jogos, em igualdade pontual. Não que a equipa tenha dificuldade em lidar com a pressão, mas ambas equipas se equivalem ao nível de talentos e o Sporting pode muito bem ir ganhar a Braga. Portanto, será um jogo difícil para o Clube Albergaria, que está tranquilo no quarto lugar, e terá de saber aguentar o caudal ofensivo que as minhotas sempre procuram imprimir ao seu jogo. 

Ovarense vs Ouriense - a Ovarense não pode distrair-se porque tem o Vilaverdense a três pontos. E a troca de posição pode implicar o desconforto de cair nos lugares da descida. O Ouriense tendo começado o campeonato muito bem, tem revelado alguma irregularidade nesta segunda volta. Será um jogo de taco a taco e a necessidade de pontuar da equipa da casa poderá trazer grandes dificuldades ao Ouriense.

Futebol Benfica vs Marítimo - o Fofó tem-se aguentado muito bem no terceiro lugar, onde se instalou à nona jornada, e nem a ausência por lesão de Edite Fernandes abalou a posição. Nem sempre com prestações regulares, mas o trabalho da Madalena Gala no seu ano de estreia como principal tem sido bastante positivo, algumas vezes até muitíssimo bom. O Marítimo está a fazer um campeonato incrível, com uma atitude sempre muito aguerrida na busca dos seus objectivos e o sexto lugar é um excelente prémio. É uma equipa que joga sempre para marcar golos e só em três jogos ficou a zeros. Irá, certamente, dificultar a vida ao experiente Futebol Benfica.

Vilaverdense vs Estoril Praia - não tem sido um campeonato fácil para o Vilaverdense, mas nos últimos jogos alguns pontos ganhos e outros perdidos pela equipa que vai acima, deixaram em aberto como vai ser a sua classificação no final. Certo que terá de vencer para continuar a sonhar, mas a equipa do Estoril tem um ataque demolidor e não tornará fácil a tarefa. Para o Estoril há também a esperança de conseguir subir um lugar na tabela, se vencer o Clube Albergaria perder. Mas a corda no pescoço está em Vila Verde, naturalmente.

A-dos-Francos vs Boavista - capaz de vencer fora e perder em casa, com equipas de igual valia, o A-dos-Francos não tem um perfil muito regular. No entanto, atendendo ao campeonato que o Boavista está a fazer, crê-se que a vitória da equipa da casa será o desfecho mais natural. Um ano difícil para o Boavista, o clube mais histórico do futebol feminino em Portugal. Deseja-se que este 'tropeção' sirva para os responsáveis olharem para a modalidade e lhe darem o apoio que ela precisa e merece. 

Sporting vs Valadares - o Sporting desta época está longe daquele que encantou toda a gente há três anos. Parece uma equipa cansada, física e psicologicamente. Não terá um jogo fácil frente ao Valadares, mas a sua obrigação é vencer. Digo isto desde o início, seja para o Sporting, seja para o Braga. Duas equipas profissionais têm mais do que obrigação para se imporem frente às restantes equipas da Liga BPI. Essa pujança não tem sido notória e algumas vezes a vitória é por margem mínima. Mas a redução da desvantagem para três pontos em relação ao Braga, deve servir para uma motivação extra. No entanto, nem tudo se consegue só com motivação. A parte técnica e táctica é demasiado importante. E, nesse aspecto, o Sporting tem-se revelado previsível e triste. O Valadares está tranquilo na classificação e este jogo será um bom espaço para crescerem e se prepararem para o jogo da meia-final da Taça no próximo fim de semana. Portanto, nada a perder, antes sim mostrar um bom futebol. 

Esperemos que depois daquela enchente no Estádio do Restelo mais pessoas se habituem a ir ver jogos de futebol feminino. São sempre uma agradável surpresa.    

terça-feira, 2 de abril de 2019

#TodosMoçambique: um Benfica x Sporting solidário.

(Foto: Anabela Brito Mendes)



Já se sabe que o desporto em geral e o futebol em particular é um veiculo de excelência (a exemplo dos concertos musicais) para chamar a atenção da população mundial para causas de diversos âmbitos, que necessitam de ajuda urgente para que os danos não atinjam proporções (ainda mais) assustadoras quando há vidas humanas envolvidas.

Mais do que o resultado do jogo em questão (vitória do Sporting CP pela margem mínima), o que se assistiu na bancada é de realçar e deixa-nos a esperança que há vida para além de clubismos fanáticos.

Ao apelo da Federação Portuguesa de Futebol (um exemplo sempre que se fala de solidariedade, quem não se lembra das ações relacionadas com os incêndios de Pedrogão Grande?), em conjunto com o Sindicato dos Jogadores, Associação de Futebol de Lisboa, a disponibilidade do Clube Futebol “Os Belenenses” para ceder o estádio e os clubes envolvidos, os portugueses responderam “presente”. Foram mais de 15 000 adeptos presentes do Estádio do Restelo (que bela moldura humana com uma fantástica paisagem de fundo), dos dois clubes, misturados entre si (embora tenha existido a preocupação da separação física de adeptos) e que fizeram a festa. Os cânticos de cada clube não se deixaram de ouvir, cada qual puxou pela sua equipa mas num ambiente descontraído, saudável e de consciência pelo motivo que se tinham deslocado ao Restelo.

Vi, como há muito não via, famílias inteiras nas bancadas. Cada qual envergando as cores do seu clube. À minha frente estava uma família declaradamente sportinguista mas imediatamente atrás estava uma família em que cada um tinha a sua preferência e não foi por isso que deixaram de estar e festejar em conjunto.

As jogadoras foram as maiores promotoras do evento. A sua entrega ao jogo e o respeito mútuo foram notas dominantes e a fotografia final na cerimónia de entrega do troféu “Vicente Lucas” é uma imagem a reter e a promover.

O jogo, esse, deu a primeira amostra do que podemos esperar na próxima época na Liga BPI e demais competições, caso se encontrem. Foi um jogo bem disputado, com inúmeras oportunidades de golo de ambas as equipas e não existindo a pressão de pontos ou eliminatórias, facilitou os intervenientes a proporcionar um bom espetáculo a todos no estádio e aos que assistiram via televisão.

Bem sei, infelizmente, que em situação de competição, outros valores se levantam, o clubismo sobrepõem-se muitas vezes ao bom senso e acabamos por assistir a cenas que em nada dignificam os clubes e o futebol em geral. Felizmente, que no jogo de sábado nada disto ocorreu e o salutar convivo pré, durante e após o jogo foi a nota dominante. Não tenho utopia de pensar que este ambiente se possa repetir nas futuras competições mas que seria bom, lá isso seria.

Que não seja necessária outra catástrofe para assistirmos (e vivermos de perto) a outro dia para recordar na história do futebol feminino nacional, onde foi alcançado um novo máximo de assistência num jogo de futebol feminino em Portugal.

Deixo-vos uma questão… se o jogo contasse para uma competição interna, com entradas pagas (cujo valor podia ser o mesmo, 2,5€), teríamos ido todos ao Restelo?

Eu, seguramente, iria! Só assim se cresce e evolui.

sexta-feira, 29 de março de 2019

Benfica x Sporting - derby feminino por Moçambique


Mal se soube da criação de uma equipa feminina por parte do Sport Lisboa e Benfica, instalou-se a natural curiosidade sobre quando é que iria acontecer o derby Benfica-Sporting. Esse confronto, entre as melhores equipas de ambos emblemas, estaria naturalmente agendado para a época 2019/2020. Apesar de ter entrado para o escalão inferior, o Benfica construiu uma equipa fortíssima que lhe garantia a subida de divisão de forma tranquila. Já houve confrontos entre ambos, tanto na formação, como nas seniores, mas com a equipa 'B' do Sporting. E não é nada disso que o público adepto, tanto dos clubes como do futebol feminino, deseja ver.

Foram causas naturais, daquelas que ainda que previsíveis ninguém controla, as "causadoras" da antecipação deste confronto. O ciclone tropical Idai, que irrompeu pela costa leste de Moçambique e deixou um rasto de destruição e devastação, foi, portanto, o leitmotiv deste evento solidário agendado para amanhã, 30 de Março, pelas 16 horas no Estádio do Restelo.

Não podia haver melhor motivo para esta estreia. Sendo equipas de clubes com uma rivalidade centenária, que nem sempre se manifesta publicamente da maneira mais assertiva e correcta, o facto de se defrontarem para um evento solidário extra-competição poderá levar, assim o esperamos, a que o público se fixe nos pormenores do jogo e no talento das jogadoras, deixando de lado o folclore da má criação habitual nestes jogos. 

Não deverá haver grandes dúvidas de que as equipas se apresentarão na sua máxima força. E isso até revelará o respeito dos treinadores pelo carácter social e solidário do evento. 

Ambas as equipas têm coisas boas a retirar deste jogo, para além da sensação de conforto emocional por estarem a ajudar o povo de Moçambique. Para o Benfica, será a oportunidade de ter um adversário, novamente, à sua altura e perceber até que ponto tem uma equipa para lutar pelo título na Liga BPI, na próxima época. O Sporting ainda poderá ter algo a ganhar até ao final desta. O confronto com o Braga, na penúltima jornada, com uma vitória por mais 3 golos, dar-lhe-á o título. Portanto, o jogo de amanhã poderá ser um bom teste para a capacidade táctica e anímica da equipa. 

Sejam quais forem as motivações das equipas, seguramente será um jogo emocionante e rico. Excelentes executantes de ambos os lados, serão elas que farão o espectáculo e alegrarão as bancadas do Restelo. Que haja golos, para que a festa seja melhor.

Para que tudo seja perfeito, esperemos que as pessoas adiram e pintem as bancadas de vermelho e verde. E que o bom senso se sobreponha à rivalidade e haja palmas para todas as jogadoras envolvidas neste evento, joguem elas ou não. 

#TodosMoçambique



segunda-feira, 25 de março de 2019

SL Benfica – SC Braga: a primeira mão das meias-finais da Taça de Portugal BPI

(Foto: Anabela Brito Mendes/Sports and Girls)

Quem me conhece e acompanha o que vou escrevendo sabe que não abordo questões técnico-táticas de jogos de futebol. Isso fica para os entendidos, que não é de todo o meu caso. Mas, como adepta de futebol, creio que consigo diferenciar um bom jogo, daqueles de encher o olho de um jogo monótono e pouco atrativo.
Ora, o jogo que opôs o SL Benfica ao SC Braga, disputado no Estádio da Tapadinha, não sendo um jogo de encher o olho teve todos os ingredientes que o tornaram de nervos, emoções fortes, de enorme entrega das jogadoras de ambas as equipas e de incerteza no resultado até soar o apito final. Os milhares de adeptos que se deslocaram ao estádio (seguramente mais de 2500) e os que assistiram através da transmissão televisiva não saíram defraudados e assistiram a um espetáculo disputado no limite.
Foi o primeiro jogo para o SL Benfica contra uma equipa da Liga BPI também profissional e era aguardado com grande expetativa para se perceber, de forma definitiva, a real qualidade da equipa lisboeta. E, quem esperava ver a equipa encarnada com prudência para perceber como o jogo ia decorrer, enganou-se. Foi a equipa que entrou mais forte, a cometer menos erros, a ter mais posse de bola e à procura do golo, que surgiu com naturalidade à passagem do minuto 25, por Darlene. Um golo de belo efeito num remate de primeira após mau alívio da defesa bracarense. A mesma jogadora podia ter aumentado a contagem quase de seguida mas a bola saiu rente ao poste. O Braga, até ao golo do Benfica, mostrou-se uma equipa muito diferente do que já vimos esta época. Não conseguia ter bola, as suas jogadoras, aparentemente, acusaram mais a responsabilidade do jogo que as suas adversárias, os passes raramente tinham o destino certo e não conseguia assentar o seu jogo. O golo da igualdade surge de um lance de bola parada, onde a GR do Benfica não fica isenta de culpa, numa saída em falso, aos 37 minutos.
A etapa complementar revelou um Braga mais próximo do que é habitual, a conseguir manter a bola em seu poder (todavia sem nunca criar lances de perigo eminente para a baliza encarnada) e a obrigar as jogadoras do Benfica a um desgaste físico adicional na procura da mesma. O Braga trouxe ao de cima a sua maior experiência mas sem nunca amedrontar a equipa encarnada. O melhor da tarde estava guardado para o minuto 68 com o monumental golo do Braga, na marcação de um canto direto pela Ágata Pimenta. O Benfica não desistiu e voltou à carga à procura do golo do empate, mas deparou-se com uma barreira chamada Rute Costa (com a segurança que lhe é reconhecida manteve a sua baliza trancada) ou com a pontaria desafinada das suas jogadoras. Mesmo sobre o apito final, num livre ainda se gritou golo pelos adeptos benfiquistas mas foi ilusão ótica, já que a bola saiu ao lado, num cabeceamento quase perfeito de Tayla.
A diferença neste jogo, em jeito de resumo, foi o aproveitamento por parte do Braga das bolas paradas e a sua maior experiência e ritmo competitivo. Não se iluda quem pense que isso não ficou demonstrado. O Benfica não tinha tido, até ao jogo de ontem, necessidade de correr atrás resultado, nunca tinha estado na posição de desvantagem e não era obrigado a mexer na sua equipa ou mudar estratégia para recuperar. Ou seja, todas estas variáveis nunca tinham sido abordadas, em contexto de jogo, quer pela equipa técnica quer pelas jogadoras. Foi toda uma realidade nunca vivenciada e isso só se treina e aprende quando acontece.
(Foto: Anabela Brito Mendes/Sports and Girls)
A eliminatória está longe de estar decidida. O Benfica vai a Braga discutir a passagem à final da Taça de Portugal BPI de igual para igual. O resultado de ontem de nada lhe serve para que consiga alcançar um dos seus objetivos na época de lançamento. Dia 20 de abril espera-se outro jogo de emoções e nervos à flor da pele.
Uma coisa é certa, o futebol feminino nacional precisa de muitos mais jogos deste calibre, dimensão e competitividade para continuar a evoluir.
Que ninguém duvide disso!

sexta-feira, 22 de março de 2019

Taça de Portugal - meias finais com confrontos inéditos



Clube de Albergaria/Durit, Sporting Braga, SL Benfica e Valadares Gaia são os dignos representantes do futebol feminino nas meias-finais da Taça de Portugal, que se joga a duas mãos, a primeira das quais já este fim de semana.
 
Analisando somente a última década, o Valadares Gaia vai disputar a sua quinta meia-final, o Clube de Albergaria a quarta, o Braga a terceira e somente para o Benfica será a primeira, já que iniciou actividade esta época.
 
Curiosamente, e apesar da vasta participação de alguns, estes confrontos serão inéditos. O Albergaria já esteve nas meias-finais com o Valadares, mas ambos com outros adversários.
Uma coisa têm em comum estes quatro emblemas: nenhum deles jamais subiu a escadaria do Jamor em último lugar, ou seja, o de vencedor da prova. Imagine-se, portanto, o quão apetitosos serão estes quatro jogos!
 
De imediato iremos ter:
- amanhã dia 23, o Valadares Gaia x Clube de Albergaria/Durit
- domingo dia 24, o SL Benfica x Sporting Braga
ambos às 15 horas e com transmissão em A Bola TV. Mas com esta qualidade, só mesmo quem estiver longe ou não se puder deslocar é que não irá ver ao vivo.
 
Começando pelo Valadares x Albergaria, encontro já largas vezes disputado na prova máxima das competições femininas. Tendo como grande atractivo serem orientadas por treinadoras (Mara Vieira e Paula Pinho), o que garante que na final esteja uma mulher a comandar uma das equipas. A não ser que, em caso de vitória da eliminatória pelo Valadares, a Mara Vieira já esteja em licença de parto, visto estar grávida - outro facto inédito. Quanto ao jogo, será intenso e vibrante, sendo os adeptos do  Valadares sempre muito interventivos e dentro de campo ambas equipas gostam de jogar a disputar sempre a bola. De qualquer modo, a eliminatória estará longe de ficar resolvida, dado o equilíbrio de qualidade apresentado até agora.
 
No outro encontro teremos "o jogo" que despertará todas as atenções. Nada a fazer contra a grandeza do impacto dos chamados grandes. Aproveitar a embalagem e procurar estar o mais perto possível, seguir as boas práticas em termos de trabalho e divulgação, é o que de mais sensato os clubes mais pequenos deverão fazer.
 
Benfica x Braga, duas equipas profissionais, que trabalham diariamente nas melhores condições possíveis em Portugal, será o tal "jogo". Espera-se uma Tapadinha cheia, de adeptos das duas equipas e também de jogadoras de futebol, que têm este fim de semana de folga e não querem perder pitada de um grande jogo em perspectiva.  
 
O que se pode esperar para este jogo?
 
Um Benfica super motivado para atingir um dos objectivos traçados para esta época inicial: chegar à final da Taça de vencê-la. Com jogadoras muito talentosas e experientes, ainda não soube verdadeiramente o que são dificuldades. Ficam no ar duas interrogações: como se irá comportar perante um adversário mais forte, à sua medida, já que até agora as duas únicas vezes em que sentiu um pouco mais de dificuldade foi com o Sporting 'B'; conseguirá o treinador João Marques quebrar o enguiço contra equipas grandes como a sua? Domingo teremos a resposta.
 
O Braga tem tanta sede de ganhar como o Benfica, já que poderá estar muito próximo de ganhar os três troféus em disputa na época, sendo que já venceu o primeiro: a Supertaça. Do que se tem observado recentemente parece estar a acusar algum cansaço, mas isso poderá ser aparente. A equipa de Miguel Santos tem muita personalidade, sendo liderada em campo pela capitã, Vanessa Marques (a fazer uma época brilhante). O seu ataque é fortíssimo, tanto técnica como fisicamente. Esse será, talvez, o maior trunfo do Braga, já que a defesa do Benfica ainda não apanhou nenhum ataque assim.
 
Os ingredientes para um grande jogo estão todos lá. Uma casa, certamente, cheia ou perto disso. Tempo ameno. O que mais se poderá desejar?
- Uma equipa de arbitragem à altura das intérpretes e um público que se manifeste de forma vibrante, apaixonada, mas correcta. Insultos não fazem parte do desporto.
 
 

terça-feira, 19 de março de 2019

Futebol feminino - fim de semana de emoções fortes e muito mais!

(Foto: Anabela Brito Mendes - Sports and Girls)

No fim de semana de 16 e 17 de março decorreram dois jogos que opuseram as equipas do SL Benfica e o Sporting CP, no escalão sub 17 (16 de março) e séniores femininos (17 de março).
Tive a oportunidade de assistir aos dois e, permitam-me que realce que fiquei deliciada com o jogo das sub 17. Mais que o resultado, favorável ao Sporting CP, foi o constatar ao vivo a recente realidade que o futebol feminino nacional atravessa. Há cada vez mais miúdas e raparigas a jogar futebol. Deixa-me extremamente feliz e confiante que o futuro futebol feminino nacional não só pode como vai ser risonho.
O entusiasmo vivido quer dentro do terreno de jogo, quer pelos espetadores revela que o futebol feminino está em “estado de graça”. Os dados estão lançados e não há forma de parar este desenvolvimento. O aparecimento dos clubes ditos grandes permitiu dar mais e maior visibilidade ao futebol feminino nacional e, desta forma, chegar cada vez a mais adeptos de futebol em geral. Alias, atrevo-me a dizer que, se tais clubes não aparecessem, duvido que estivéssemos no presente momento a assistir a esta viragem no futebol feminino nacional. É injusto para com todos os outros que andam há anos a lutar pelo futebol feminino? É, sem dúvida. Mas o que desejo é que, daqui em diante, todos possam crescer dentro das suas realidades e proporcionar cada vez mais melhores condições não só às jogadoras mas também a treinadores e demais elementos imprescindíveis para o bom funcionamento de qualquer equipa.
Os eventos da “Festa do Futebol Feminino”, que decorrem nas Associações Distritais de Futebol e cujos vencedores se apuram para o evento final a realizar no Estádio Nacional, nos escalões Sub 13 e Sub 15, movem milhares de raparigas e fazem-nas sonhar que é possível ser jogadora de futebol em Portugal (algo impensável há meia dúzia de anos). É certo que nem todas lá chegarão e a gestão das suas expetativas em momento algum deve ser descurado, sejam pelos pais seja pelos treinadores.
Regressando às emoções do fim de semana e ao nível sénior, o jogo que opôs o Sporting CP “B” e o SL Benfica, no domingo passado, deixou-nos alguns indícios do que podemos esperar para o ano, quando estas equipas se encontrarem na Liga BPI. O Sporting CP “B”, ao apresentar-se com alguns reforços de peso, da sua equipa principal, deixou muito boa imagem nunca virando a cara à luta. O jogo foi agradável de seguir e quem se deslocou a Alcochete não saiu defraudado na expetativa de ver um bom espetáculo. O resultado sorriu para a equipa encarnada, mais adulta e que soube aproveitar cirurgicamente as oportunidades que lhe surgiram. O primeiro grande teste à real capacidade desta equipa do Benfica está marcado para o próximo dia 24/03/2019, na primeira mão das meias-finais da Taça de Portugal, contra o SC Braga. O estádio da Tapadinha prepara-se para receber uma das suas maiores assistências seguramente.
E por falar em assistências, que dizer dos mais de 60 mil espetadores que assistiram ao encontro de “La Liga”, na vizinha Espanha que opôs o Atlético de Madrid, de uma das nossas maiores referências atuais, Dolores Silva ao Barcelona. Já há uns tempos atrás tinha abordado esta temática das assistências no futebol feminino e foi sem grande espanto que tive conhecimento que os bilhetes para a final do próximo Campeonato do Mundo, a disputar em França, esgotaram cerca de 30 minutos após o início da venda online. Os ventos de mudança são transversais no mundo inteiro, cada qual dentro da sua realidade.
Razão tem o presidente da UEFA quando afirma que o “futebol feminino tem um potencial ilimitado e tem desenvolvido um conjunto de programas de apoio às federações nacionais”.

sexta-feira, 15 de março de 2019

Liga BPI - jornada 18



Regressa a Liga BPI, após interrupção para a Algarve Cup e os oitavos de final da Taça de Portugal.
Já havendo pouca coisa para lutar, tirando o Braga e Sporting pelo título e o suposto lugar do pódio, o terceiro, há nesta jornada alguns encontros bem interessantes. Vejamos:

Valadares Gaia vs Vilaverdense - embalado pela vitória na Taça, eliminando o Fofó em casa deste, o Valadares tem tudo para fazer um jogo bem jogado e conquistar os 3 pontos. O Vilaverdense ainda tem alguma esperança na manutenção, mas este será um jogo difícil para a recuperação. 

Boavista vs Braga - mais um jogo difícil para o Boavista, que deve estar desejando que a época acabe, para reflectir e iniciar outro projecto. Seria fundamental que a direcção do Clube olhasse para o futebol feminino com o respeito que merece e delineasse uma estratégia de recuperação da modalidade. O Braga vai ter um jogo tranquilo, bom para fazer descansar algumas jogadoras, caso seja necessário, para estarem em melhores condições para a meia-final com o Benfica a 24 deste mês.

Clube de Albergaria vs Sporting - ainda sem derrotas nesta 2ª volta, o Clube de Albergaria está em 4º lugar e nas meias finais da Taça. Neste jogo frente ao Sporting irá ter bastantes dificuldades porque o adversário não vai querer perder mais terreno até ao confronto final com o Braga, que ocorrerá na última jornada. Em circunstâncias normais a única dúvida está nos números, porque a vitória será do Sporting.

Estoril Praia vs Futebol Benfica - o jogo da jornada. O Estoril super moralizado com o jogo que fez frente ao Braga, deverá bater o pé a um Futebol Benfica que estará ainda a lamber as feridas da eliminação frente ao Valadares. O resultado será uma incógnita, embora o Fofó tenha no seu conjunto maiores soluções para vencer. Será seguramente um jogo aberto e bastante agradável, para merecer uma deslocação à Amoreira.

Marítimo vs Ovarense - jogo bastante enigmático entre as duas equipas estreantes da Liga BPI. O Marítimo tem tido um desempenho muito bom, estando no 6º lugar da tabela. A Ovarense ainda respira acima da linha de água, mas a classificação não espelha a sua capacidade de luta e entrega ao jogo. Ainda assim, o Marítimo será favorito à conquista da vitória.

Ouriense vs A-dos-Francos - jogando em casa, entre iguais o Ouriense é favorito. No entanto, a derrota pesada, que ditou a eliminação da Taça frente ao Benfica, poderá ter deixado marcas nas jogadoras. O A-dos-Francos tem jogado bastante solto e sem pressão, podendo assim causar algum sufoco à equipa da casa, já que não tem nada a perder.

Bons jogos por todo o país, o tempo vai estar propício para que as pessoas se desloquem aos estádios.
Vale a pena ver futebol feminino, pela qualidade do jogo e pelos golos que animam todos os jogos.

terça-feira, 12 de março de 2019

Borges e Couto - talento ilimitado


Numa iniciativa do Museu do Sporting Clube de Portugal, foi possível ver e ouvir duas das jogadoras mais talentosas que o futebol feminino português já conheceu: Carla Couto, a jogadora do século, embaixadora do futebol feminino e actualmente a desempenhar funções no Sindicato dos Jogadores, e Ana Borges, que para além de jogadora do Sporting é internacional A e tem no seu currículo vários anos de experiência no estrangeiro, nomeadamente em Espanha, Estados Unidos e Inglaterra.
Percorrendo algumas salas do Museu, ambas deram a conhecer as diferentes realidades que separam estas duas gerações. A Carla Couto começou a jogar futebol um ano após a Ana Borges ter nascido. 
Apesar disso, ainda coincidiram na selecção nacional, muito por força da longevidade da carreira da Carla.
Esta iniciativa teve o condão de ouvir História pela boca das protagonistas. As dificuldades, os sucessos, as transferências, a paixão pelo jogo. Houve gente interessada que fez perguntas e tudo decorreu de forma bastante agradável e descontraída, mas sempre com grande sentido do dever. E, ali, o dever era o de serem promotoras do futebol feminino, mais do que contar a sua própria história - coisa que ambas fizeram muito bem.
Estas actividades são altamente recomendáveis, para que toda a gente saiba quem são as nossas protagonistas, mas também quem são as que fizeram o passado. Para que as jovens jogadoras possam admirar não só os craques, mas principalmente as craques.
E, no fundo, nem sequer são actividades que exijam uma grande logística e podem ser feitas em todos os clubes.